O dólar fechou esta quinta-feira (3) em queda de 1,20%, a R$ 5,63, após ter rompido os R$ 5,60 (R$ 5,5934) pela manhã. A desvalorização ocorreu após o anúncio de novas tarifas comerciais pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que gerou incertezas nos mercados globais.
O real se destacou entre as moedas emergentes, mesmo em um dia de perdas generalizadas para o dólar. As novas tarifas impostas pelos EUA afetam as exportações brasileiras em 10%, percentual inferior às tarifas aplicadas a países asiáticos, como China (34%) e Vietnã (46%), e à União Europeia (20%).
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O tarifaço provocou uma forte queda nas bolsas de Nova York, com o índice Nasdaq recuando mais de 5%. Investidores migraram para ativos considerados mais seguros, como os títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries), o que fez suas taxas caírem.
No entanto, diferentemente de episódios tradicionais de aversão ao risco, o dólar não se valorizou ante as moedas emergentes.
Tarifaço aquece apostas em corte de juros
Especialistas acreditam que as tarifas podem desacelerar a economia norte-americano, levando investidores a crer que o Federal Reserve (Fed) poderá cortar os juros ainda neste ano. A inflação causada pelas tarifas é vista como temporária, reduzindo a necessidade de um aperto monetário prolongado.
Em entrevista ao Estadão Broadcast, o sócio e diretor de investimentos da Azimut Brasil Wealth Management, Leonardo Monoli, avalia que o cenário pode favorecer um fluxo maior de capital para mercados emergentes, enfraquecendo o dólar.
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Por outro lado, se o Fed adiar cortes de juros por conta de pressões inflacionárias, a tendência pode se reverter, penalizando países emergentes como o Brasil.
Reação do Brasil
A economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, destaca que o Brasil se tornou mais atrativo para investidores internacionais, pois o real é uma das moedas emergentes mais líquidas e a taxa de juros local elevada favorece operações de carry trade (estratégia que busca lucrar com a diferença entre taxas de juros de diferentes países).
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