A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) deu um passo histórico ao aprovar, por unanimidade, a criação de cotas para pessoas trans, travestis e não-binárias em seus cursos de graduação. A decisão foi tomada pelo Conselho Universitário (Consu) e representa um marco nas políticas de ações afirmativas no Brasil
As vagas serão oferecidas por meio do edital Enem-Unicamp e estarão disponíveis para candidatos de escolas públicas e privadas. O modelo prevê que cursos com até 30 vagas regulares deverão reservar, no mínimo, uma vaga para essa população, enquanto cursos com mais de 30 vagas deverão oferecer duas vagas. Essas vagas podem ser regulares ou adicionais, sendo que, no caso de vagas adicionais, não haverá obrigatoriedade de preenchimento.
A proposta foi resultado de uma articulação entre movimentos sociais, como o Ateliê TransMoras e o Núcleo de Consciência Trans, além de alunos da Unicamp e a Reitoria. A iniciativa surgiu a partir de um acordo firmado durante a greve estudantil de 2023.
Segundo dados da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest), no vestibular de 2025, 279 candidatos se inscreveram utilizando nome social, dos quais 40 foram convocados. Os cursos mais procurados por essa população foram Artes Visuais, Ciências Biológicas e Medicina.
A medida também inclui a exigência de um relato de vida no processo de inscrição, que será avaliado por uma comissão composta por, no mínimo, uma pessoa trans, travesti ou não-binária. Após cinco anos, a Unicamp realizará uma análise dos resultados da política para avaliar sua eficácia e possíveis ajustes.
Essa iniciativa coloca a Unicamp como pioneira entre as universidades estaduais de São Paulo e reforça seu compromisso com a inclusão e os direitos humanos.
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