A indústria de cartões no Brasil se mobiliza para dar um novo passo na integração dos meios de pagamento: incorporar o Pix ao tradicional cartão de plástico que já carrega as funções de débito e crédito. A proposta, ambiciosa e inovadora, pretende transformar o cartão em um hub de pagamentos, com três modalidades disponíveis ao consumidor. Mas, para sair do papel, a iniciativa ainda precisa do aval do Banco Central.
“O Pix no cartão ajudaria a aumentar o Pix por aproximação. Para o cliente é exatamente igual ao débito, ambos saem do saldo da conta corrente, mas, para o estabelecimento, o Pix é em tempo real, enquanto o débito leva de um a dois dias para cair na conta”, explicou Giancarlo Greco, presidente da bandeira Elo e da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).
As conversas entre emissores, credenciadoras e o Banco Central já ocorrem há mais de um ano, mas ainda é necessário que o regulador publique uma norma específica autorizando a nova funcionalidade. “Recentemente, agora no início do ano, tivemos a chance de sentar com o Banco Central, já com a nova gestão, para falar um pouquinho sobre isso. E o regulador vem analisando minuciosamente não só os aspectos regulatórios, mas também técnicos”, completou Greco.
Modelo
O novo modelo pode ser a resposta para uma das principais barreiras à expansão do Pix por aproximação: a limitação tecnológica. Hoje, apenas uma parcela dos celulares em uso no país possui a tecnologia NFC (Near Field Communication), que permite pagamentos por aproximação sem a necessidade de abrir o aplicativo bancário. A integração do Pix ao cartão físico surge, assim, como um atalho para massificar o uso dessa modalidade, que ainda engatinha.
Segundo dados da Abecs, 73% dos pagamentos por aproximação são feitos com cartões, enquanto apenas 22% dos portadores utilizam carteiras digitais. Há uma clara preferência do consumidor pelo cartão físico — preferência essa que pode ser explorada para alavancar o uso do Pix em novos formatos.
Outro ponto de destaque é a segurança. A possibilidade de usar o Pix sem abrir o aplicativo do banco traz praticidade, mas também levanta preocupações. Por isso, as bandeiras defendem que, com o Pix no cartão, será possível incorporar ferramentas antifraude semelhantes às já utilizadas no débito e crédito.
A questão da remuneração, porém, segue em aberto. Como o Pix é gratuito para pessoas físicas e possui tarifas variáveis para pessoas jurídicas, será necessário encontrar um modelo sustentável para que emissores e estabelecimentos adotem a novidade. Enquanto o futuro se desenha, o presente dá sinais de resiliência. Em 2024, as fraudes com cartões caíram 18% em volume financeiro e 15% em número de transações, segundo a Abecs. Ao mesmo tempo, o uso de cartões cresceu 10,9% e movimentou R$ 4,1 trilhões no ano, com uma média de 125 milhões de pagamentos por dia. O parcelado sem juros segue como protagonista no crédito, representando 41% das operações e somando R$ 1,3 trilhão. O Pix no cartão é, ao mesmo tempo, um símbolo e uma promessa: o símbolo da convergência entre meios de pagamento e a promessa de uma nova era no setor financeiro, mais veloz, segura e inclusiva.
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