A Assembleia Legislativa do Ceará em ebulição

A Assembleia Legislativa do Ceará completa 190 anos de existência no próximo dia 7 de abril. O Poder Legislativo das então províncias ganhou autonomia relativa naquele momento como consequência de determinação exarada por Ato Adicional assinado pelo regente Padre Diogo Antônio Feijó, que em 1934, estabeleceu a substituição dos Conselhos Provinciais pelas Assembleias Provinciais, com maior número de representantes e membros eleitos, não escolhidos a dedo pelo poder central do Império.
Daquele tempo a esta parte muitos têm sido os caminhos (e descaminhos) trilhados pelo Parlamento cearense, com momentos de alta representatividade popular e outros de carência tanta, chegando até ao padecimento de graves cismas internos, que mereceram a crítica acerba de preeminentes personalidades representantes de importantes segmentos da sociedade, dos órgãos de comunicação e do próprio povo.
Há 45 anos adentrei na Casa do Povo mediante concurso de provas e títulos para trabalhar no então Departamento de Taquigrafia e Revisão de Anais. Daquele tempo a esta parte ocupei cargos de direção, presidi a Associação dos Servidores em momento de duros embates, prestei assessoria parlamentar a deputados das mais diversas colorações político-ideológicas. Parodiando o Apóstolo São Paulo, digo que continuo combatendo o bom combate, não encerrei a carreira, continuo o trabalho, permaneço na caminhada arrimado na fé.
Presentemente vejo a Assembleia Legislativa em ebulição como consequência de medidas adotadas pela Mesa Diretora, sob a presidência do deputado Romeu Aldiguéri. São medidas radicais e lineares que assustam e incomodam. Não se deve olvidar o fato de que medidas lineares causam pontualmente alguma injustiça que deve necessariamente ser corrigida, uma vez que o bom gestor, em especial o político naturalmente sensível às necessidades das pessoas, com certeza, não deseja sair na foto da história como uma pessoa injusta ou má.
A ninguém é dado desconhecer que o senhor Romeu Aldiguéri, que conheço de longe, recebeu para administrar uma Assembleia Legislativa obesa, inchada de penduricalhos e sinecuras que adoentam qualquer corpo institucional. Tal situação não se coaduna com uma administração pública que se quer moderna, eficaz no atendimento às demandas da sociedade. Por mais dinâmica que seja uma instituição como é um Corpo Legislativo de representação popular é saudável administrar-lhe um remédio que cure. Meizinha não resolve. Faz-se necessário uma lipoaspiração que deixe o corpo mais leve e ágil. Urge, portanto, uma reorganização na Casa do Povo, para que ela sirva bem ao povo e não a apadrinhados ou a apaniguados, cevando privilégios que vêm de longe e que beneficiam a uns poucos, muitas vezes descompromissados com a Casa que os mima. Por outro lado, importa repetir que a lupa do gestor não deve permitir que passe sem serem observadas as injustiças que porventura advenham de decisão açodada. Esperamos que após a tempestade surja a bonança.

BARROS ALVES
JORNALISTA, POETA E ASSESSOR PARLAMENTAR

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