O Brasil Diante do Novo Protecionismo Global

O comércio internacional vive um momento de transformação. O ressurgimento do protecionismo, impulsionado por potências como Estados Unidos e China, vem alterando as dinâmicas econômicas globais, impondo novos desafios para países exportadores como o Brasil. Barreiras tarifárias, subsídios internos e políticas voltadas à proteção de indústrias nacionais redefinem as regras do jogo e exigem uma reavaliação estratégica de nações que, historicamente, dependeram de mercados externos para impulsionar o crescimento.
O Brasil não é estranho a esse conceito. Durante décadas, adotamos posturas protecionistas em setores estratégicos, muitas vezes como tentativa de impulsionar a indústria local. No entanto, a realidade de hoje é diferente: em um mundo onde as grandes economias endurecem suas políticas comerciais, a pergunta que se impõe é se o Brasil está pronto para se adaptar e aproveitar as oportunidades que surgem desse novo cenário.
As medidas protecionistas das grandes potências globais afetam diretamente setores fundamentais para o Brasil, como o agronegócio e a indústria de transformação. A China, principal parceira comercial brasileira, vem ampliando sua autossuficiência em commodities agrícolas, enquanto os Estados Unidos reforçam subsídios internos, impactando nossa competitividade. Essas mudanças pressionam o Brasil a diversificar seus mercados, reduzir vulnerabilidades e buscar alternativas para manter sua relevância no comércio global.
Diante desse novo contexto, a resposta brasileira não pode ser o isolamento, mas sim o fortalecimento de sua presença nos fóruns multilaterais e a ampliação de parcerias estratégicas. O acordo entre Mercosul e União Europeia, por exemplo, representa um passo essencial na busca por mercados mais diversificados. Além disso, a adesão a blocos como a Parceria Econômica Regional Abrangente (RCEP), liderada pela Ásia, poderia abrir novas frentes para os produtos brasileiros.
Mas expandir mercados não basta. O Brasil precisa urgentemente repensar sua estrutura produtiva, investindo em tecnologia e inovação para agregar valor às exportações. O país segue fortemente dependente de commodities agrícolas e minerais, sem um plano robusto para desenvolver uma indústria mais sofisticada e menos vulnerável às oscilações do mercado global. Enquanto concorrentes avançam na produção de bens com alto valor agregado, o Brasil precisa priorizar políticas de incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento industrial, garantindo maior competitividade.
A criação de um ambiente de negócios mais favorável também deve ser uma prioridade. Custos elevados, burocracia excessiva e insegurança jurídica ainda são entraves para quem quer empreender e exportar. Uma estratégia econômica eficaz exige reformas estruturais que tornem o Brasil mais atraente para investidores e mais competitivo no cenário internacional.
O “novo” protecionismo global não é apenas uma ameaça, mas também um chamado à adaptação. O Brasil tem recursos, capacidade produtiva e uma posição geopolítica favorável para se destacar. Mas isso exige uma postura ativa, com políticas comerciais estratégicas. Em um mundo onde os gigantes buscam proteger seus próprios interesses, cabe ao Brasil decidir se continuará como mero exportador de matérias-primas ou se assumirá um papel mais relevante e sofisticado no comércio internacional.

BEATRIZ SIDRIM
JURISTA E
CEO DA DESTINOS
OBJETIVOS

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