Os meus amigos e as pessoas que privam da minha amizade conhecem esta minha afirmativa: Berço não é dinheiro. Berço é pai e mãe. Sobre esse tema, pretendo abordar neste artigo, dedicado de coração a uma das maiores figuras da nossa história contemporânea: o ex-presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira, mineiro de Diamantina, Minas Gerais.
Dentre os muitos livros que li sobre Juscelino, destaco um: O essencial de JK, escrito por outro grande mineiro, Ronaldo Costa Couto. Tive a honra de conhecer o autor quando ele chefiava a Casa Civil, no governo José Sarney. Em companhia do senador Virgílio Távora, fomos recebidos por Ronaldo Costa Couto para tratar de problemas da produção do algodão no Nordeste. Naquela ocasião, ele autografou o livro citado e me deu de presente.
A história de JK começa na tarde de 12 de setembro de 1902, em Diamantina (MG), onde ele nasceu. Ainda criança, recebeu de sua mãe, Sra. Júlia Kubitschek, professora primária, o apelido familiar de “Nonô”, na ocasião em que comemorava o nascimento do filho ao lado do marido, João César de Oliveira. O casal teve, também, uma filha, apelidada de “Naná”. Juscelino cedo perdeu o pai. Enfrentou uma infância e adolescência pobre e sofrida. Mas, em meio às dificuldades e à vontade de estudar e vencer na vida, seria um dos maiores destaques entre os homens públicos na história da República brasileira. Seria conhecido como “JK”.
Consta, no livro citado, esta declaração de JK: “A nossa pobreza não era propriamente de origem, mas das circunstâncias que restringiam a nossa pequena família, composta da mãe e dois filhos. Todos profundamente católicos”. Juscelino, inclusive, ajudava nas missas e chegou a estudar no Seminário da Diocese de Diamantina, de onde, um dia, fugiu. No início de 1921, foi aprovado no concurso para telegrafista dos Correios e Telégrafos. Em 1922, foi aprovado na Faculdade de Medicina de Belo Horizonte.
Conviveu, naquela época, com Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Pedro Aleixo, Milton Campos, Abgar Renault, Mário Casasanta, Olavo Bilac Pinto, Adauto Lúcio Cardoso, Francisco Negrão de Lima, Dário de Almeida Magalhães, José Maria Alkmin, Odilon Behrens, Afonso Arinos de Melo Franco e uma legião muito maior que não conseguimos nomear.
Tão logo se formou, noivou com Sara Lemos e partiu para um estágio na França, à época uma referência mundial em urologia. De volta ao Brasil, Juscelino se reencontrou com a política. Ou foi a política que se reencontrou com ele? Em 1931, casou-se com Sara. Planejaram vários filhos, mas tiveram uma única filha, Márcia. Em 1947, adotaram Maristela. Daí em diante, tocou a vida com muito sucesso profissional. Sara, dotada de equilíbrio e força espiritual, esteve sempre presente na vitoriosa carreira pública do marido. Em 1932, Juscelino foi nomeado Capitão Médico da Polícia de Minas Gerais. Depois, foi prefeito, governador e presidente da República. Neste último cargo, foi o mais desenvolvimentista, carismático e dinâmico presidente que o Brasil já teve. Era um diplomata. Não guardava rancor nem o sentimento baixo de vingança.
Juscelino foi o maior acontecimento na política nacional, político no Estado que mais marcou a vida e a história do Brasil desde Tiradentes. Nos diversos cargos que ocupou, destacou-se pela honestidade e pelo respeito na administração pública, contribuindo para o respeito aos poderes Legislativo e Judiciário, além do respeito total pelos brasileiros daquela época. Hoje, lamentavelmente, essas instituições republicanas perderam o respeito da sociedade. Depois de Juscelino, o Brasil mudou sua imagem, não só internamente, mas também perante os países estrangeiros. Guardo na memória que, certo dia, encontrei-me com Juscelino no Aeroporto Santos Dumont, no Rio. Encontro testemunhado por Rodolfo Spínola, que recordou esse momento na orelha do livro que escrevi: As Lições do Tempo.
Encerrando, quero lembrar que, dentre as injustiças que Juscelino sofreu, uma delas foi ter sido acusado de ser a sétima fortuna do mundo. Depois, comprovou-se as dificuldades que ele enfrentou após ter seus direitos políticos cassados. Até sua morte, foi a de um homem simples. Morreu num acidente automobilístico, nas estradas empoeiradas do Brasil, simbolizando os motoristas que transportavam a riqueza nas rodovias que JK construiu. Morreu pobre. Dona Sara vendeu as obras de arte, pinturas valiosas amealhadas durante anos pelo casal; vendeu uma propriedade de cem hectares e cem cabeças de gado para pagar as despesas que ficaram.
O Brasil precisa, urgentemente, de homens públicos como JK. Precisa se reencontrar com o Brasil de Juscelino! Voltar a acreditar nos homens públicos e no Poder Judiciário. Jogar para longe essa enxurrada de partidos políticos clientelistas, que iludem o eleitorado aculturado e mal informado. Precisa varrer essa imagem de corrupção e demagogia que nos envergonhou durante os governos que patrocinaram o “Mensalão”, o “Petrolão”, com os milhões de propinas e tantos outros escândalos de domínio público.
HUMBERTO MENDONÇA
EMPRESÁRIO
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