
Sete trabalhadores resgatados não recebiam água potável, não tinham banheiros e nem alojamentos adequados. Em depoimento, um deles afirmou que não tinha dia de descanso e, após finalizar a jornada diária, precisava cavalgar por quatro horas até uma fazenda vizinha. Trabalhadores viviam sem alojamento adequado.
MPT MS
Dois adolescentes e outros cinco trabalhadores, entre eles três indígenas, foram resgatados em condições análogas à escravidão em uma fazenda, localizada na zona rural de Porto Murtinho (MS), na fronteira com o Paraguai.
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A operação de resgate teve início após uma denúncia recebida pelo Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul, que alertava para as péssimas condições de trabalho e habitação dos empregados na fazenda. O resgate precisou ser feito de avião, já que o local não é acessível por terra.
Falta de água potável, de banheiros e de alojamentos adequados para descanso foram algumas das irregularidades observadas pelo MPT. Em depoimento, uma das vítimas afirmou que o grupo tinha a água do poço disponível para matar a sede, mas, preferia beber a água da chuva, pois o gosto era melhor.
Além disso, o trabalhador afirmou em depoimento, que era o único entre os resgatados que tinha registro em carteira e que prestava serviços ao fazendeiro desde julho de 2024, como capataz. O funcionário, que não tem endereço fixo e é analfabeto, transitava entre as fazendas do patrão, onde os outros integrantes do grupo também trabalhavam.
Por exercer esta função, foi ele o responsável pela contratação dos demais. Em depoimento, ele contou ter alertado ao dono da fazenda sobre as más condições do ambiente de trabalho. Segundo ele, a promessa era de que seria construído um alojamento, obra que chegou a iniciar, mas nunca foi concluída.
Durante a inspeção, o MPT constatou que os trabalhadores dormiam em colchões velhos, debaixo de lonas, em local afastado.
Outro trabalhador relatou que não tinha direito a dia de descanso. Segundo ele, os banhos eram tomados nas baias, locais onde os animais ficam abrigados, e as necessidades fisiológicas eram feitas no campo. Além disso, quando terminava o serviço, tinha que se deslocar por quatro horas a cavalo até outra fazenda, que fica a 20 quilômetros de distância.
O proprietário da fazenda foi notificado a comparecer à audiência extrajudicial, no entanto, segundo o procurador do Trabalho Paulo Douglas Almeida de Moraes, o empregador vem dificultando o contato, o que deve levar o caso para a Justiça, com a possibilidade da fazenda ser retirada dele e destinada à reforma agrária.
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