O colapso do mercado financeiro: o impacto das tarifas e as lições da história

O mercado financeiro dos Estados Unidos está enfrentando um verdadeiro “crash relâmpago”. Em menos de 48 horas, muitos dos ganhos acumulados por investidores ao longo de meses – ou até anos – desapareceram completamente. A queda é brutal, e não há como suavizar a realidade.

A situação é ainda mais alarmante porque as causas subjacentes são difíceis de prever. A nova guerra comercial iniciada pelo governo Trump, com a imposição de tarifas globais, está dividindo opiniões. Enquanto alguns aplaudem a estratégia como um movimento tático para forçar outros países a reduzirem barreiras comerciais, o mercado de ações está emitindo um alerta claro: as tarifas podem ser uma força econômica destrutiva, capaz de desacelerar o comércio global e o crescimento econômico.

Mas o que a história nos ensina sobre tarifas? Três episódios marcantes mostram que medidas protecionistas podem ter consequências devastadoras:

  1. A Tarifa McKinley (1890): Elevou as taxas de importação ao maior nível da história americana até então. O mercado de ações caiu 28% nos seis anos seguintes, agravado pelo “Pânico de 1893”, que desencadeou uma série de mini-depressões até 1897.
  2. A Tarifa Dingley (1897): Sob a presidência de McKinley, as tarifas foram elevadas novamente, atingindo até 52%. Durante os primeiros seis anos dessa política, o mercado de ações teve um retorno total de apenas -0,5%.
  3. A Lei Smoot-Hawley (1930): Impôs tarifas sobre mais de 20.000 produtos importados, elevando as taxas para quase 60%. O resultado? O mercado de ações despencou mais de 80% em dois anos e ainda acumulava perdas de 42% após seis anos. Além disso, a lei é amplamente responsabilizada por aprofundar a Grande Depressão e alimentar o nacionalismo na Alemanha, que culminou na ascensão de Hitler e na Segunda Guerra Mundial.

Esses exemplos mostram que tarifas elevadas podem ter efeitos colaterais graves, tanto econômicos quanto sociais. Apesar disso, o governo Trump parece disposto a seguir por esse caminho, apostando que “desta vez será diferente”. Mas será mesmo?

O que esperar agora?

A história sugere que, se as tarifas forem mantidas, a economia e o mercado de ações dos EUA enfrentarão uma queda ainda mais acentuada. No entanto, há uma possibilidade de reversão. O governo pode ceder à pressão pública e reduzir as tarifas, ou negociar acordos com parceiros comerciais como Canadá, México e Europa. Essa seria a única saída plausível para estabilizar o mercado e evitar um colapso maior.

Por outro lado, Trump é conhecido por adotar estratégias não convencionais. Ele frequentemente cria crises que só ele pode resolver, como uma espécie de “síndrome de Munchausen por procuração” política. É possível que ele esteja usando essa tática agora, gerando tensão econômica para, em seguida, surgir como o “salvador” que resolve o problema.

O que os investidores podem fazer?

Apesar da volatilidade, vender na baixa pode não ser a melhor estratégia. Grandes quedas no mercado, embora dolorosas, também criam oportunidades para quem tem coragem de comprar enquanto outros estão vendendo. A paciência e a visão de longo prazo podem ser recompensadas quando o mercado se recuperar.

Por enquanto, o futuro permanece incerto. Mas uma coisa é clara: a paciência dos americanos para um mercado em colapso é curta, e o governo precisará agir rapidamente para evitar um desastre econômico ainda maior.

Abraços,

Diego Collaziol – X10 investimentos

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