A representação parlamentar é fundamental para o pleno exercício da democracia representativa, pois fornece legitimidade, accountability, defesa dos interesses coletivos, controle do poder executivo, participação cidadã, estabilidade e governança eficaz. No entanto, também enfrenta desafios e limitações que precisam ser abordados para garantir uma representação eficaz e responsável. Adotar uma postura eqüidistante dos extremos não é fácil, principalmente nestes tempos aziagos de dicotomias político-ideológicas, em que há fossos quase intransponíveis entre lados opostos, que deveriam ser tão somente duas faces de uma mesma moeda, com características diferentes, mas protagonistas civilizadas de um debate que interessa a todos.
O deputado Heitor Férrer, ao longo de quase quatro décadas de vida pública tem buscado esse equilíbrio no exercício do mister parlamentar, desde os tempos da vereança em Fortaleza até os dias atuais, na Assembleia Legislativa, onde exerce o sexto mandato. Nesse terreno ora árido, ora movediço, mas sempre desafiafor, Heitor insiste em sustentar um posicionamento de representação independente, arrostando às vezes incômodos partidários, exatamente porque não se caracteriza com o ferrete da situação ou o signo da oposição.
Entende o veterano parlamentar que manter a eqüidistância entre a situação e a oposição permite-lhe uma postura de imparcialidade em face de erros e acertos do governo. As análises e criticas devem ser elaboradas em olhando a concretude dos fatos e evidências, e não movidos por paixões e/ou interesses partidários ou pessoais. É correto afirmar, portanto, que a eqüidistância entre a situação e a oposição ajuda a manter a credibilidade do exercício parlamentar e do mandato, ensejando a construção de confiança entre os cidadãos e as instituições, em especial o Parlamento, algo fundamental na caminhada de um deputado que para se eleger não depende de grupos, de lobbies e muito menos de benesses governamentais.
De igual modo, pode-se constar facilmente que uma representação parlamentar independente consegue contribuir de forma concreta para prevenir abusos de poder e garantir que as instituições sejam usadas para o bem comum. Enfim, Heitor Férrer entende que uma representação equidistante de partes que se digladiam, às vezes irracionalmente, ajuda a promover o diálogo e a negociação e , consequentemente, a encontrar soluções eficazes para os problemas que afetam a população. Sabe ele que essa posição não é fácil de ser compreendida, nem pelas cúpulas partidárias nem por grande número de eleitores, em especial neste momento da vida nacional em que o País está cindido ideologicamente e as instituições se mostram frágeis ou corrompidas, colocando em risco os inegociáveis valores democráticos.
BARROS ALVES
JORNALISTA, POETA E ASSESSOR PARLAMENTAR
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