O Nordeste brasileiro, atualmente líder nacional na produção de energia renovável, especialmente eólica e solar, enfrenta um paradoxo estratégico: produz mais eletricidade limpa do que consegue consumir, mas não dispõe de infraestrutura adequada para reter e usar esse excedente em benefício próprio. Foi com esse pano de fundo que o governador do Piauí e presidente do Consórcio Nordeste, Rafael Fonteles, se reuniu com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), em busca de apoio para destravar gargalos logísticos e garantir a industrialização verde da região.
Fonteles destacou que, apesar de sua posição privilegiada no setor energético, o Nordeste ainda depende de linhas de transmissão que exportam praticamente todo o excedente para outras regiões do país, como Sudeste e Centro-Oeste. A meta agora, segundo ele, é outra: usar essa energia como alavanca para atrair grandes projetos industriais, como datacenters, plantas de hidrogênio verde, siderúrgicas de baixo carbono e centros de inovação tecnológica. “Precisamos garantir que essa energia permaneça aqui, transformando-se em empregos, renda e desenvolvimento industrial no próprio território nordestino”, afirmou.
A resposta da CNI foi positiva. O presidente da entidade, Ricardo Alban, garantiu abertura total para dialogar com o Consórcio Nordeste sobre a agenda energética. Já o diretor de Tecnologia e Inovação da CNI, Jefferson Gomes, colocou à disposição uma equipe técnica para apoiar a construção de estratégias que acelerem os investimentos em infraestrutura de geração e transmissão elétrica, com foco em grandes projetos industriais de baixo impacto ambiental.
A iniciativa não é apenas regional: ela se alinha com uma tendência global de relocalização industrial em áreas com acesso à energia limpa e abundante. Em um cenário de transição energética, o fator “carbono zero” se tornou um ativo competitivo, e o Nordeste, com sua vocação natural para as renováveis, está estrategicamente posicionado para atrair indústrias que buscam descarbonizar suas cadeias de produção.
O apelo do governador Fonteles à CNI representa mais do que uma demanda técnica, mas um projeto de desenvolvimento regional de nova geração, que visa transformar o Nordeste em centro de excelência da nova indústria brasileira. “Se houver articulação eficaz entre governos estaduais, setor privado e União, o Nordeste poderá, enfim, deixar de ser apenas o celeiro energético do Brasil para se tornar um polo industrial verde, gerando oportunidades com base em uma das matrizes mais limpas do planeta. O momento é agora, e a energia, literalmente, já está aqui. Ao buscar o apoio da CNI, o Consórcio Nordeste sinaliza que não basta gerar energia limpa, é preciso integrá-la a um projeto industrial robusto, capaz de atrair investimentos em setores estratégicos como hidrogênio verde, datacenters e siderurgia de baixo carbono. Com planejamento e coordenação, o Nordeste pode deixar de ser apenas exportador de eletricidade para se consolidar como um polo nacional de inovação, sustentabilidade e geração de empregos”, avalia a advogada Mara Gonçalves.
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