Morning Call: Tarifas de Trump abalam mercados e disparam o “índice do medo”

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou o pregão desta quarta-feira (2) em leve alta de 0,03%, aos 131.190,34 pontos, pouco antes do anúncio oficial das tarifas recíprocas dos Estados Unidos (EUA).

A sessão foi marcada pela apreensão do mercado e cautela dos investidores ao realizar seus aportes no “Dia da Libertação”, quando os EUA anunciaram sanções comerciais a todos os seus parceiros comerciais.

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Nesta quinta-feira (3), pós-anúncio das tarifas recíprocas e data em que elas entram em vigor, o mercado global amanheceu abalado, com índices futuros, Bolsas de Valores e commodities afundando, sem perspectiva de recuperação imediata, mas de volatilidade para os próximos dias.

A tensão global ocasionada pelo anúncio das tarifas chegou a disparar o índice VIX, chamado “índice do medo”, que avança a 26,49 pontos, disparando 23,62% após o tarifaço.

No cenário internacional, assim como no Brasil, os mercados reagem mal às tarifas recíprocas. Os primeiros sinais de rejeição iniciaram à noite, logo após o anúncio, com os futuros das bolsas de Nova York em derretendo.

O Brasil foi um dos países menos afetados pelas sanções comerciais dos EUA. As tarifas sobre importações brasileiras serão de 10% e não haverá taxas adicionais sobre os metais. No país, o setor mais afetado até o momento foi o agronegócio, que pressiona o governo para tentar uma reversão.

O dia inicia com o mercado acompanhando de perto as reações dos países às tarifas anunciadas por Trump em meio à volatilidade inevitável. A China pediu revogação das tarifas, a União Europeia e o Canadá prometem retaliação, enquanto a Austrália requereu isenção e o Brasil critica a violação dos compromissos da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Refletindo o impacto dos mercados globais, o dólar abriu em queda de 1,43%, a R$ 5,61 e o dólar futuro recua 1,36%, a R$ 5,64. Os juros futuros também abrem em queda e o Ibovespa futuro sobe 0,11%, aos 130.900 pontos.

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Manchetes desta manhã

  • Trump tributa Brasil em 10% e acirra guerra comercial com China e Europa (Folha)
  • Tarifas de Trump desencadeiam queda global de ações e dólar (Folha)
  • Eleições 2026: Lula lidera 2º turno contra todos os concorrentes, diz pesquisa Quaest (Estadão)
  • Lula tenta focar em empreendedores, segurança e agro para diminuir resistências (O Globo)
  • China critica tarifas “intimidatórias” de Trump e promete resposta (Valor)
  • BYD supera Tesla em vendas pelo 2º trimestre seguido; Musk virou obstáculo aos negócios (Valor)

Mercado global

As Bolsas da Europa operam em queda e atingem a mínima de dois meses com as tarifas recíprocas de Trump. A taxa sobre importações europeias foi de 20%, intensificando temores de uma intensificação da guerra comercial, com ameaça ao crescimento econômico.

O índice Stoxx 600 se destacou com as ações alemãs em forte queda. Adidas teve uma perda de 10,26%. Segundo o escritório de estatísticas, a Alemanha teve os EUA como maior parceiro comercial no ano passado.

O impacto das tarifas abre espaço para o BCE cortar juros mais rapidamente, na tentativa de impulsionar a economia.

Os índices da Ásia refletiram o impacto das tarifas quase que imediatamente. China e Taiwan foram afetadas com tarifas de 34% e 32% respectivamente. A Apple, que fabrica os iPhones na Ásia, teve um tombo de 7%.

O índice Nikkei liderou as perdas na Ásia com pressão das ações de chips e de bancos, Shenzhen teve queda mais acentuada e a praça de Taiwan não operou por feriado local.

Em Nova York, os índices futuros abriram em forte queda com as tarifas comerciais mais pesadas do que o esperado: Dow Jones Futuro: -2,84%, S&P 500 Futuro: -3,47% e Nasdaq Futuro: -3,92%.

Confira os principais índices do mercado:

• S&P 500 Futuro -3,4%
• STOXX 600 -2%
• FTSE 100 -1,5%
• Nikkei 225 -2,8%
• Shanghai SE Comp. -0,2%
• MSCI EM -0,7%
• Dollar Index -1,6%
• Yield 10 anos -7,4bps a 4,0568%
• Bitcoin -2,7% a US$ 83322,5

Commodities

  • Petróleo: afunda em torno dos 6% com perspectiva de demanda menor após tarifaço. O Brent/jun cai 5,76%, a US$ 70,63 e o WTI/mai cede 6,11%, a US$ 67,33.
  • Minério de ferro: fechou em queda de 0,67% em Dalian, na China, cotado a US$ 101,87/ton. Em Singapura, os contratos futuros recuam 1,31%, cotados a US$ 101,65/ton e o mercado à vista está negativo em 0,98%, cotado a US$ 102,75/ton.
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Cenário internacional

Segundo notícias e análises no mercado, as taxas impostas pelos Estados Unidos podem reduzir o crescimento econômico do país e afetar a inflação do consumidor. Essa questão segue em alta nesta quinta-feira, com o mercado avaliando as reações e retaliações ao anúncio de Trump.

A agenda do dia destaca os pedidos semanais de seguro-desemprego dos EUA, além do PMI de serviços de março às 10h45, e o discurso dos membros do Federal Reserve (Fed), Philip Jefferson e Lisa Cook, em eventos a partir das 13h30.

Entre os indicadores econômicos mais relevantes no momento, Na Zona do Euro, o PMI de serviços subiu para 51 em março, de 50,6 em fevereiro e 50,4 esperado pelo mercado. Na China, o PMI de serviços Caixin avançou para 51,9 em março, de 51,4 em fevereiro.

Cenário nacional

No Brasil, refletindo os impactos das tarifas recíprocas, em comunicado, o governo disse que está aberto a conversar com EUA para reverter tarifa de 10% e avalia todas as ações possíveis, incluindo recurso à OMC.

A Câmara já aprovou a Lei da Reciprocidade, que estabelece mecanismos para o governo retaliar eventuais barreiras comerciais ou medidas protecionistas no exterior. O texto ainda segue para sanção presidencial.

Destaque também para o PMI de serviços de março, às 10h, e leilão pelo Tesouro de LTNs e NTN-Fs.

Entre os compromissos do dia, o presidente Lula tem reunião com ministros e participa de evento, às 10h. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, teve audiência às 9h com representantes do FGC e, às 16h, com o embaixador interino dos EUA.

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Destaques no mercado corporativo

  • Embraer: entregou 30 aeronaves no 1º trimestre (+20% YoY), é a empresa brasileira mais exposta às tarifas dos EUA.
  • Tupy: segunda empresa brasileira mais exposta às tarifas dos EUA, ao lado de WEG, segundo o Santander.
  • Cemig: anunciou 13ª emissão de debêntures no valor de R$ 1,5 bilhão. AGE: Aprovou cancelamento de listagem na B3.
  • BTG Pactual: Em resposta à CVM, negou que tenha feito proposta de aquisição de ativos do Banco Master.

Acompanhe as principais notícias do mercado financeiro nesta quinta-feira também no Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual.

O episódio de hoje já está no ar, nas principais plataformas de podcasts. Basta clicar na sua plataforma preferida para ouvir: Spotify; Deezer; Amazon Music; Podcasters. Ou ouvir clicando abaixo:


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