As mudanças na comunicação e a entrega de programas que eram apostas do governo Lula (PT) para recuperar a popularidade do presidente não surtiram efeito até agora e o governo tem dificuldade de traçar uma estratégia para mudar esse cenário, avaliam integrantes do Executivo e parlamentares. A preocupação é, principalmente, com a perda do eleitor tradicional do partido: mulheres, nordestinos e pobres.
O diagnóstico causou um desânimo generalizado entre os petistas em reunião ocorrida na Câmara dos Deputados, nessa quarta-feira (2). O encontro tinha como pauta a anistia aos golpistas de 8 de janeiro e o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas o clima foi de pessimismo, segundo relatos, com a percepção de que o governo já executou as entregas e ainda não encontrou uma maneira de reagir.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada ontem mostrou que não houve a recuperação esperada pelos petistas na popularidade. Em janeiro, 37% dos eleitores tinham avaliação negativa do governo e agora são 41%. As opiniões positivas caíram de 31% para 27%. A queda ocorreu inclusive entre o eleitor tradicionalmente mais simpático ao petista, como as mulheres e os moradores do Nordeste.
Os dados sobre a dificuldade de recuperação já eram detectados em pesquisas internas do governo, segundo relatos à Folha, mas vão na direção contrária ao que esperava o governo e o PT, que em janeiro defendiam que a perda de popularidade era passageira e atrelada a alta nos preços dos alimentos e à crise do Pix. A expectativa era de que a entrega de ações e programas mudaria esse quadro.
As apostas, na avaliação dos petistas e aliados, se mostraram insuficientes até o momento. A liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quem optou pelo saque-aniversário e foi demitido, por exemplo, teve a primeira parcela da verba depositada em março. Foram R$ 6 bilhões injetados para evitar a desaceleração da economia, afetada pelo aumento das taxas de juros.
O “crédito do trabalhador”, consignado para os celetistas, levou a R$ 3,1 bilhões em empréstimos em duas semanas. O tema, no entanto, é atacado nas redes sociais pela direita, que acusa o governo de endividar os trabalhadores, e até por aliados. “Essa será uma marca negativa para o governo porque vai causar um desespero ainda maior em quem está endividado”, disse o deputado André Figueiredo (CE), presidente em exercício do PDT nacional. “Isso será positivo só para os bancos.”
Uma expectativa que os petistas e aliados mantêm para melhorar a imagem de Lula é o Pé-de-Meia, que teve os primeiros pagamentos liberados a partir de 31 de março para estudantes de baixa renda. Além disso, deve ser anunciada em breve a ampliação do público-alvo do Minha Casa, Minha Vida.
No prazo mais longo, a esperança é a de que as mudanças no Imposto de Renda, com o aumento da faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil mensais, melhore o humor do eleitorado. A medida deve beneficiar cerca de 10 milhões de pessoas. Entretanto terá efeito apenas em 2026.
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