Quando a dívida vira oportunidade

Depois de ler um tweet de Victor Kietzmann, do Portal Small Caps, nesta semana, resolvi escrever um texto para complementar o tema abordado. No final do texto mostro as preferências de Kietzmann que é um cara que estuda e entende muito de small caps e escolho a minha preferida.

Em momentos de mudança macroeconômica, especialmente quando os juros caem, essas empresas podem dar um salto significativo. O segredo está no valor de firma (EV), especialmente quando ele é majoritariamente composto por dívidas. Se o equity1 representa só uma fração do EV, o potencial de valorização pode ser expressivo nos momentos certos.


Atenção aos riscos

Não tem mágica aqui. Investir em empresas altamente alavancadas é um jogo arriscado. A alavancagem pode multiplicar o retorno, mas também os prejuízos. A chave está em saber quando o cenário macroeconômico está a seu favor.

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Entendendo o valor de firma ou enterprise value (EV)

O EV é basicamente o valor da empresa somando o valor de mercado e a dívida líquida:

EV = Valor de Mercado + Dívida Líquida (Dívidas – Caixa)

Quando o EV é alto e o equity baixo, significa que grande parte do valor da empresa está nas dívidas. Ou seja, estamos falando de empresas altamente alavancadas.


Potencial de valorização

O ponto é que empresas com muita dívida são sensíveis às mudanças nos juros. Na alta, os custos da dívida pressionam o lucro. Na queda, o efeito é o contrário: o custo cai, melhora o caixa e o lucro aparece. E aí a ação pode disparar.

Se os juros caem, as despesas financeiras diminuem. Para uma empresa alavancada, isso significa mais lucro líquido e um movimento positivo nas cotações. Às vezes não é preciso que o juros de hoje caiam. Apenas que os investidores antecipem uma queda futura de juros.

Desalavancagem: O equity ganha força

Se a empresa começa a pagar as dívidas com o fluxo de caixa, o equity ganha peso dentro do EV. É simples: menos dívida, mais valor no capital próprio. Se uma empresa reduz a dívida de R$ 9 bilhões para R$ 5 bilhões, mantendo o valor de mercado, o equity sobe de 10% para 20% do EV. Isso reflete na valorização da ação.


Exemplo fictício:

Imagina uma empresa com EV de R$ 10 bilhões: R$ 9 bilhões em dívida e R$ 1 bilhão em equity. Se a dívida cair para R$ 5 bilhões, o equity passa a representar 20% do EV (antes era só 10%). Essa mudança faz a ação ganhar valor de mercado rapidamente.


Em 19 de janeiro, o perfil @krson_ postou no X um estudo interessante sobre o potencial de retorno das ações de Ânima (ANIM3) em caso de queda na dívida líquida e reprecificação de múltiplo (EV/EBIT) no caso.

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dívida vira oportunidade

Nesse caso citado, uma reprecificação do múltiplo EV/EBIT por si só já geraria uma explosão da ação. O investidor nem precisaria ver uma desalavancagem significativa.

O ponto principal é mostrar o potencial embutido e o conceito por trás. Para os exemplos citados valem alguns disclaimers:

  • Os números levam em conta o valor de mercado da data do post, que é diferente do atual.
  • Os potenciais retornos acontecem caso as variáveis (queda de dívida e aumento de múltiplo) se confirmem.
  • Cabe a cada investidor fazer suas contas e atribuir suas probabilidades. 

Fique de Olho nos Riscos

Nem sempre o vento sopra a favor. Se os juros subirem ou o fluxo de caixa não vier como esperado, o resultado pode ser desastroso. É preciso estar atento ao contexto e entender se a empresa tem margem para desalavancar.

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Estudo Victor Kietzmann

No estudo, que pode ser visto aqui nesse link, Victor elenca as suas ‘‘pimentinhas preferidas’’. Ele faz uma comparação da porcentagem da dívida líquida2 dentro do valor de firma, o lucro líquido esperado para esse ano e o retorno sobre capital empregado (ROIC).

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Como conclusão, Victor ressalta Movida, Helbor, Ânima, MRV, Espaço Laser e Vamos como suas preferidas.

Dentre essas, tendo a gostar mais de Ânima. Vamos e Movida também considero como boas opções para uma virada de ciclo, apesar de que é sempre difícil acreditar em desalavancagem em empresas do grupo Simpar.

Conclusão

Ações de empresas alavancadas podem ser uma bomba ou um foguete, dependendo do cenário econômico. Quando os juros caem, a história muda. Se a empresa tem capacidade de desalavancar, o retorno pode ser enorme. Mas não dá para contar só com isso: analisar o contexto é essencial para não se queimar.

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