Jovens rejeitam Lula e desaprovação dispara

Lula com jovensReprodução

A desaprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre os jovens atingiu um nível recorde, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (2). O resultado é visto como negativo entre um público que foi importante paraa vitória do petista em 2022.

O levantamento aponta que a aprovação do presidentena faixa etária de 16 a 34 anos caiu de 45% em janeiro deste ano para 33% em abril, enquanto a desaprovação subiu de 52% para 64%.

A queda de 12 pontos percentuais na aprovação e o aumento na desaprovação indicam uma piora significativa na percepção da juventude em relação ao governo.

A mudança ocorre pouco mais de dois anos após a eleição de 2022, na qual os jovens desempenharam um papel fundamental.

Na ocasião, a campanha de Lula investiu em estratégias direcionadas a esse público, como o uso intensivo das redes sociais, o apoio de influenciadores e a defesa de pautas consideradas progressistas.

Além disso, foram destacadas promessas voltadas à educação, ao combate ao desemprego e à expansão de direitos.

Entre as principais iniciativas da campanha de Lula para os jovens estava a mobilização digital. A estratégia incluiu conteúdos adaptados para plataformas como TikTok e Instagram, além do endosso de personalidades públicas, como a cantora Anitta e o ator Mark Ruffalo.

O então candidato também defendeu a ampliação do acesso ao ensino superior, por meio da expansão do Prouni e do Fies, e se comprometeu com a geração de empregos formais para a juventude.

Medidas do governo Lula aos jovens

Lula viu sua popularidade cairReprodução

Desde que assumiu o terceiro mandato, Lula implementou medidas voltadas para esse segmento, como o programa Pé-de-Meia, que oferece uma poupança a estudantes do ensino médio público, e a expansão dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia.

O governo também lançou o Plano Juventude Negra Viva, com investimentos de R$ 665 milhões em iniciativas voltadas para a inclusão social e educacional de jovens negros.

Outras políticas incluem a retomada do Bolsa Família, a ampliação do programa Mais Médicos, incentivos à cultura e a criação de um programa habitacional voltado para jovens adultos.

O governo também reformulou o Fies e o Prouni, ampliando o acesso ao ensino superior para estudantes de baixa renda.

Economia e segurança preocupam os jovens

Apesar dessas medidas, especialistas apontam que a insatisfação juvenil tem relação com a situação econômica e a percepção de falta de oportunidades.

O cientista político Marcelo Alves avalia que há um descompasso entre as políticas adotadas e as expectativas da juventude.

“Os jovens não estão enxergando perspectiva na área econômica. Há quem não tenha emprego e, aqueles que possuem, hoje estão insatisfeitos com a precariedade do trabalho. Apesar de programas como o Pé-de-Meia e a expansão do Bolsa Família, a percepção é de que essas medidas não estão acompanhando a deterioração econômica ou gerando oportunidades suficientes, como empregos formais e bem remunerados. A inflação é outro problema”, afirma ao Portal iG.

“A informalidade tem sido um caminho recorrente dos jovens, mas isso não é bom. Muitos podem estar esperando ações do governo, algo prometido em 2022. Mesmo com a ampliação do Jovem Aprendiz e os novos Institutos Federais, os resultados não serão imediatos”, acrescenta Abrão.

Outro ponto destacado pelo especialista é a ausência de uma agenda de segurança pública voltada aos jovens.

“O governo debate muito sustentabilidade, questões raciais, dos povos originários, mas os jovens querem debater temas vistos como mais urgentes, como tecnologia e segurança pública. Veja: o jovem compra um celular. Ele pode andar tranquilamente na periferia? E quantas vezes você escutou o Lula falar sobre segurança pública?”, questiona.

Além disso, a juventude altamente conectada tem amplificado as críticas ao governo nas redes sociais.

“As redes sociais têm amplificado críticas ao governo. Narrativas de oposição, como as associadas ao bolsonarismo, ganham tração entre os jovens por meio de conteúdos virais que destacam falhas econômicas ou escândalos políticos. A campanha de Lula em 2022 foi bem-sucedida nesse ambiente digital, mas agora ele enfrenta dificuldades para manter o mesmo engajamento positivo”, avalia.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.