O Paraguai anunciou a convocação do embaixador do Brasil no país, José Antônio Marcondes, para dar explicações a respeito do suposto caso de espionagem realizado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) contra o país vizinho. “Convocamos o embaixador do Brasil no Paraguai para que ofereça explicações detalhadas sobre a ação de inteligência levada a cabo pelo Brasil mediante a entrega de uma nota oficial para que explique as ações desenvolvidas no marco dessa ordem por parte do governo Brasil”, afirmou o chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, em entrevista coletiva nessa terça-feira (1º).
Questionado por jornalistas, o chanceler afirmou que considera a ação uma violação do direito internacional. Na segunda-feira (31), o Governo paraguaio afirmou não ter indícios de ações brasileiras. Lezcano disse ainda que as negociações do Anexo C do tratado de Itaipu Binacional ficam suspensas até que o Brasil dê respostas sobre o assunto. Há previsão de que ele seja assinado até o fim de maio deste ano.
Procurado pela reportagem ontem, o Itamaraty não respondeu até o fechamento desta edição. A avaliação de integrantes do Governo brasileiro que acompanham as conversas com o Paraguai é a de que esse movimento é um esforço do Governo paraguaio para dar algumas respostas internas diante das revelações. Em alguma medida, o caso é visto como uma brecha para dar uma posição mais favorável ao Paraguai na negociação do tratado.
O caso foi revelado em reportagem do UOL. O governo Lula (PT) negou que a ação tenha ocorrido durante o atual mandato e disse que ela foi autorizada em junho de 2022, durante a gestão Jair Bolsonaro (PL).
O governo declarou ainda que a medida foi tornada sem efeito pelo diretor interino da Agência, em 27 de março de 2023, “tão logo a atual gestão tomou conhecimento do fato”. O Itamaraty afirmou em nota de segunda-feira que “o governo do presidente Lula desmente categoricamente qualquer envolvimento em ação de inteligência, noticiada hoje, contra o Paraguai, país-membro do Mercosul com o qual o Brasil mantém relações históricas e uma estreita parceria”.
Também afirmou que o atual diretor-geral da Abin esperava, naquele momento, o processo de aprovação do nome dele no Senado Federal, e que ele só assumiu o cargo em 29 de maio de 2023.
Segundo o chanceler paraguaio, o governo do país não tinha nenhuma informação a respeito da suposta espionagem. A partir do comunicado brasileiro, no entanto, Assunção determinou as medidas a serem tomadas. “Aqui não estamos considerando se esses eventos se produziram entre os governos anteriores do Brasil e do Paraguai, mas que é uma ação de um país contra o outro, e então tomamos todas as medidas necessárias para resguardar os altos interesses do Paraguai”, disse Lezcano ontem.
A reportagem do UOL disse que agentes invadiram computadores para obter informações sigilosas relacionadas à negociação de tarifas da usina hidrelétrica de Itaipu, que é objeto de disputa comercial entre os dois países há muitos anos.
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