Páscoa vai impulsionar em 12% vendas nos supermercados

Mesmo diante da alta acumulada de 18% no preço do cacau em 2024, o maior aumento entre as commodities no ano, os supermercados projetam um aumento de 12% nas vendas para a Páscoa deste ano. A expectativa, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), é que o período se consolide como o “segundo Natal” do setor, impulsionado pelo comércio de ovos de chocolate, bacalhau e azeite.

O otimismo se deve principalmente ao fortalecimento do mercado de trabalho e ao aumento da renda das famílias, fatores que têm garantido um equilíbrio positivo entre consumo e pressão inflacionária. Para driblar o impacto dos preços altos, as redes supermercadistas estão apostando em estratégias variadas, como promoções específicas, adotadas por 65% dos estabelecimentos, e parcerias com indústrias e fornecedores. Essa abordagem busca garantir maior variedade e preços competitivos em produtos tradicionais da Páscoa, como ovos de chocolate, colombas, barras, bombons e confeitos em geral.

Estratégias
Para Marcio Milan, vice-presidente da Abras, o aumento nas vendas também é resultado de estratégias comerciais bem estruturadas. “A projeção se apoia no emprego e renda e nas estratégias do varejo, como ambientação das lojas, parcerias com a indústria, as marcas próprias e as vendas por canais digitais”, explica.

Além disso, a alta do dólar continua a pressionar o preço de produtos importados, especialmente massas e azeites, mesmo com a recente queda da moeda americana. Isso ocorre porque muitos supermercados ainda trabalham com estoques antigos, comprados a valores mais elevados. A expectativa é que os preços se normalizem somente com a reposição dos estoques.

A movimentação mais intensa nos supermercados está prevista para a última semana que antecede a Páscoa, com pico no sábado anterior ao feriado. A Abras estima um aumento de até 20% no fluxo de clientes nesse dia, motivado por promoções e pela tradição de abastecer os lares na véspera das celebrações. “O abastecimento dos lares, até em função das ofertas, vai se concentrar no sábado antes do feriado”, afirma Milan.

Desempenho
Apesar da projeção positiva para a Páscoa, o setor supermercadista registrou queda de 4,25% no consumo em fevereiro em comparação com janeiro. O recuo, contudo, já era esperado, devido ao menor número de dias no mês e ao deslocamento do Carnaval para março. Ainda assim, no acumulado do primeiro bimestre, o consumo cresceu 2,24%, impulsionado pela recuperação da renda e pela continuidade dos programas sociais, além da liberação de recursos do PIS/Pasep e pagamento de atrasados do INSS.

Marcio Milan destaca que o crescimento anual reflete também os reajustes no salário mínimo e a melhora nas condições do mercado de trabalho, que têm sustentado o poder de compra das famílias, mesmo diante dos desafios econômicos do início do ano. “O equilíbrio entre renda disponível e ações comerciais bem estruturadas deve garantir o bom desempenho do período, reafirmando a Páscoa como uma das datas mais relevantes para o consumo das famílias”, conclui.

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