Entre os três estados nordestinos mais populosos, Ceará é o com maior redução de mortes violentas intencionais de 0 a 19 anos de idade. Os números são de levantamento realizado conjuntamente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) publicado nesta terça-feira (13). A tabela do relatório aponta os quantitativos de crimes do perfil mostra que o Ceará somava em 2021 um total de 552 registros e Pernambuco 514. Em 2021, a Bahia não divulgou os dados.
As mortes violentas intencionais são decorrentes de homicídio doloso; feminicídio; latrocínio (roubo seguido de morte); lesão corporal seguida de morte; e mortes decorrentes de intervenção policial (em serviço e fora dele).
Conforme a tabela, em 2021, “o Ceará destoava” dos demais estados, com taxa de 22,5 por 100 mil, “assumindo a liderança nacional na ausência dos dados da Bahia para aquele ano, mas teve uma queda de 30% entre 2021 e 2023”, aponta do documento de ambas as instituições. O relatório mostra que a Bahia não informou dados sobre violência letal nessa faixa etária, o que pode ter colocado o Ceará à época como o de maior acumulado.
Em 2023, conforme também o relatório, Ceará ocupou a 4ª posição com 389 casos, tendo assim uma diminuição de cerca de 30%. Seguindo a tabela, em 2023, Rio de Janeiro ficou na 2º posição somando 427 registros e em 3º Pernambuco, com 412. A liderança ficou com a Bahia com um total de 924. O estado baiano esteve no topo da lista dois anos seguidos, considerando o total de 2022.
Números do País
No Brasil, no período de três anos, de 2021 a 2023, ao todo, foram registradas mais de 15 mil mortes violentas intencionais de crianças e adolescentes. Conforme o levantamento desses últimos anos, dos 91,6% dos casos de violência letal de crianças e adolescentes, que inclui adolescentes de 15 a 19 anos, 82, 9% eram pardos e pretos, e 90% homens.
No levantamento, foi constatado que as mortes de jovens por parte de intervenções policiais também tiveram um aumento. A porcentagem dessas intervenções foi de 14% em 2021, para 18% em 2023.
Comparando essa porcentagem, a taxa de letalidade pelas abordagens policiais em pessoas acima de 19 anos é de 2,8 mil mortes por 100 habitantes, já na faixa etária de 15 a 19 anos é cerca de 6 mil por 100 mil pessoas, ou seja, mais que o dobro com um total de 113, 9%.
Para realizar o estudo, os pesquisadores fizeram pedidos específicos para cada Secretaria de Segurança Pública, solicitando a base de dados de mortes violentas intencionais, estupros e estupros de vulneráveis. E conforme o documento, para o resultado desse relatório é preciso avaliar a qualidade dos dados enviados. “Para além dos resultados propriamente ditos, é necessário observar também a qualidade dos dados encaminhados pelas Secretarias de Segurança Pública dos Estados”.
Por Dalila Lima
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