Pressionado a regular os jogos online, especialmente entre o público de menor poder aquisitivo, o governo federal estuda uma série de medidas para impedir o uso de recursos do Bolsa Família nessas plataformas. Além do bloqueio do cartão do programa social para pagamento de jogos e apostas, uma possibilidade em análise é transferir a titularidade do benefício.
O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias, afirmou que o monitoramento dos apostadores será feito por meio do CPF. Isso garantirá que o uso indevido dos recursos do Bolsa Família seja detectado e, consequentemente, medidas sejam tomadas.
Como será realizado o bloqueio do cartão Bolsa Família?
Uma das principais medidas em análise é bloquear a função de débito do cartão do Bolsa Família para alguns canais, como as plataformas de aposta online. Segundo técnicos a par do assunto, essa é a medida de mais fácil aplicação porque não depende de aprovação de lei no Congresso.
Por que transferir a titularidade do benefício pode ser uma solução?
Outra alternativa seria transferir a titularidade do benefício entre os membros maiores de idade na família. A ideia é que, caso o titular atual esteja usando o dinheiro para jogos, o cartão seja transferido para outra pessoa da mesma família. Essa mudança seria monitorada e ajustada conforme o comportamento do beneficiário.
Quais são os desafios jurídicos envolvidos?
É importante lembrar que a adoção de medidas para impedir o uso dos recursos em jogos precisa considerar aspectos jurídicos. Os direitos dos beneficiários precisam ser iguais aos dos demais cidadãos, não podendo haver discriminação ou algum tipo de criminalização. Nesse sentido, o MDS (Ministério do Desenvolvimento Social) está levantando propostas possíveis e organizando reuniões com várias autoridades responsáveis, além de órgãos de controle.
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O papel da Defensoria Pública
A Defensoria Pública, que atua em defesa dos beneficiários, também será chamada a colaborar. A decisão final será tomada pelo presidente Lula, com base na análise de diversos cenários e propostas apresentadas.
Dados do Banco Central sobre o uso do Bolsa Família em jogos
O relatório do Banco Central, divulgado recentemente, aponta que beneficiários do programa enviaram R$ 3 bilhões via Pix a empresas de jogos. No documento, a mediana por transferência é de R$ 100, não a média. Em média, seriam utilizados cerca de R$ 600, quase o valor integral do repasse mensal do Bolsa Família.
O Banco Central não esclareceu se o valor depositado saiu do programa ou de outra fonte de renda dos beneficiários. O próprio governo também avalia a possibilidade do uso irregular do CPF em alguns casos.
Quais são os próximos passos?
O Ministério da Fazenda pediu mais dados ao Banco Central sobre o assunto para uma análise mais detalhada. Enquanto isso, o MDS continua a levantar propostas e organizará reuniões na próxima semana para discutir as possíveis medidas a serem tomadas. A ideia é monitorar e, se necessário, mudar o titular do benefício ou até mesmo suspender o repasse em dinheiro, substituindo-o por cozinha solidária ou cesta de alimentos.
A ideia não é discriminar ou penalizar os beneficiários, mas garantir que o dinheiro destinado ao auxílio de famílias de baixa renda seja utilizado da maneira correta. Com medidas adequadas, o governo espera conseguir reduzir o uso indevido dos recursos do Bolsa Família em plataformas de jogos online, protegendo assim esses recursos para cumprirem seu objetivo original.
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