Uma reunião extraordinária realizada neste sábado (5), entre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e os representantes dos quatro maiores bancos privados do país, reforçou as expectativas de uma solução para o Banco Master com apoio direto do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A negociação gira em torno da aquisição do Master pelo BRB (Banco de Brasília), processo que está em fase de definição e depende de garantias e arranjos financeiros complexos. A solução para o Banco Master pode ser anunciada até o meio da próxima semana, segundo fontes envolvidas.
FGC como parte central da solução para o Banco Master
O ponto-chave da reunião foi o envolvimento do FGC, que cobre até R$ 250 mil por CPF em depósitos, investimentos e poupança, em caso de problemas com instituições financeiras. O presidente do fundo, Daniel Ferreira Lima, já havia marcado um encontro virtual com Galípolo na quinta-feira (3), que foi posteriormente remarcado para sábado com a inclusão dos executivos de Bradesco, BTG Pactual, Itaú e Santander.
A proposta em discussão prevê que os grandes bancos formem um consórcio para assumir os ativos de maior risco e baixa liquidez que não foram incluídos na operação de venda do Master ao BRB. Esses ativos incluem precatórios, ações judiciais e participações empresariais. O FGC atuaria como garantidor do fluxo de caixa para essa estrutura.
Origem da crise e exposição do FGC
A exposição do FGC ao Master é expressiva. Segundo dados do Banco Central, os depósitos a prazo do banco totalizam R$ 45,6 bilhões, o que representa 42% dos recursos disponíveis do FGC, que somavam R$ 107,8 bilhões em junho de 2024. Os CDBs do Banco Master são responsáveis por grande parte desse montante, sendo conhecidos por oferecerem rendimentos elevados para atrair investidores.
Envolvimento do BTG Pactual e posicionamento do mercado
O chairman do BTG Pactual, André Esteves, esteve envolvido em negociações paralelas com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, apresentando uma proposta de cobertura de riscos com suporte do FGC e pagamento por carteira de precatórios. O BTG, no entanto, negou publicamente qualquer proposta formal de aquisição de ativos ou participação no capital social do banco.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) cobrou esclarecimentos do BTG, que reafirmou sua posição em dois comunicados distintos. A movimentação ocorreu após a repercussão das negociações e a exigência de transparência junto ao mercado.
Modelo futuro para o FGC e regulação do setor
Os grandes bancos propuseram ao Banco Central a reformulação do modelo de cobertura do FGC. A proposta prevê que instituições financeiras que desejarem captar mais recursos com base na garantia do fundo deverão pagar contribuições adicionais. Essa lógica, presente em mercados desenvolvidos, funcionaria como penalidade para instituições com maior exposição ao risco.
Essa proposta visa preservar a saúde do sistema financeiro e evitar que bancos médios e pequenos utilizem o fundo de forma desproporcional ao seu perfil de risco. Técnicos do Banco Central ouvidos pela reportagem consideram que a decisão sobre a solução para o Banco Master precisa ser rápida para evitar novos riscos sistêmicos.
Expectativa de definição e próximos passos
A expectativa é que os termos da solução para o Banco Master sejam anunciados oficialmente até a próxima semana. A reunião deste sábado foi marcada de forma atípica, fora da agenda habitual do BC, o que evidencia a urgência do tema. Fontes indicam que as tratativas avançaram, especialmente com a participação do FGC e da alta cúpula do sistema bancário nacional.
Caso o arranjo com os ativos problemáticos avance, será uma sinalização importante para o mercado de que o sistema financeiro brasileiro continua resiliente e coordenado. A medida também poderá abrir espaço para ajustes regulatórios na atuação do FGC, visando maior sustentabilidade e segurança para investidores e poupadores.
The post Solução para o Banco Master deve envolver FGC, indica reunião com Galípolo appeared first on Entre Altas e Baixas.