O relato de uma transformação. Em seu primeiro solo, A Árvore, que acontece em Fortaleza nos dias 5 e 6 de abril, no Teatro Brasil Tropical, a atriz Alessandra Negrini dá voz a uma mulher em processo de reflexão após ganhar uma pequena planta e ver-se sozinha com ela em seu apartamento. As apresentações acontecem às 20h no sábado (5) e às 19h no domingo (6), quando acontece, ainda, um bate-papo com a atriz e a equipe após o espetáculo.
O trabalho tem dramaturgia de Silvia Gomez, direção de Ester Laccava e produção de Gabriel Fontes Paiva e Alessandra Negrini. Mirella Brandi (luz), Camila Schimidt (cenário), Ana Luiza Fay (figurinos) e Morris (trilha sonora) completam a equipe de criativos.
O projeto de Alessandra Negrini e Gabriel Fontes Paiva tem uma trajetória muito bem-sucedida. A peça estreou durante a pandemia de forma on-line e, depois, virou um longa-metragem que está sendo distribuído pela O2 Filmes. O espetáculo foi convidado para participar do Festival Mujeres en Escena por La Paz, na Colômbia, em 2021, e também fez parte da programação da MOBR em Portugal e da Mostra Internacional de Teatro – MIT-SP.
Em cena, Alessandra Negrini dá vida à personagem A., que, sozinha em seu apartamento, dirige-se a um interlocutor não identificado para fazer o relato de uma viagem interior iniciada quando ela ganha uma pequena planta de uma vizinha. Certo dia, ao tentar limpar sua estante, A. se vê presa à planta por um fio de cabelo e submerge em um estranho processo, no qual observa seu corpo transformar-se lentamente em algo que desconhece. Despedindo-se de sua forma humana, tomada de novas sensações e percepções, A. ora narra fatos de seu cotidiano, ora se entrega a reflexões diversas, que transitam entre o lírico e o cômico. Uma experiência extraordinária, a um só tempo particular e coletiva.
A Árvore também é o primeiro monólogo escrito por Silvia Gomez, que teve sua inspiração para criar a personagem a partir de uma imagem. “Um dia, regando uma planta na estante, vi um fio do meu cabelo preso a ela. Pedi para meu filho fotografar e transformei o episódio em textos. Nesta peça, ele disparou a cena da metamorfose, elaborando a sensação de certa forma delirante de ter sido agarrada por aquela planta, como se ela tivesse algo a dizer”, revela.
Em entrevista exclusiva ao jornal O Estado, Negrini conta detalhes sobre esse sucesso que está ganhando a atenção do público em todas as capitais brasileiras.
O ESTADO | Alessandra, o que te atraiu no projeto “A Árvore” e na possibilidade de interpretar uma personagem em um processo de transformação tão singular?
ALESSANDRA NEGRINI | Esse texto foi um pedido meu para a Silvinha , tinha muita vontade de trabalhar com ela. Isso foi um pouco antes da pandemia, veio a pandemia e mesmo assim resolvemos seguir com o projeto, que até por isso, acabou ganhando mais força e sentido, por conta de falar da insuficiência da vida civilizada, da solidão humana nesse contexto de separação da natureza. São questionamentos urgentes, e a Árvore fala disso, de uma metáfora de transformação dessa mulher que vira planta.
OE | Como foi o processo de mergulhar na personagem A. e dar voz a essa jornada interior e metamorfose? Quais foram os maiores desafios e as maiores descobertas nesse processo?
AN | É mais uma transformação interna, é através da emoção e do relato que A faz. Vamos sentindo com ela. É por dentro das veias, como ela diz. E tem muita imagem também, o que faz o público viajar com a personagem.
OE | A peça estreou online durante a pandemia e depois se transformou em um longa-metragem. Como essa experiência inicial influenciou a criação e a interpretação para o palco?
AN | A Árvore é a peça que nasceu filme. Fizemos um longa-metragem hoje está disponível em plataformas como Apple TV, YouTube Premium. A mudança foi motivada pela pandemia. Fizemos outra obra artística. Dois anos depois fizemos a peça. A peça conta com alguns vídeos feitos a partir do longa.
OE | O espetáculo já teve uma trajetória internacional, participando de festivais em diferentes países. Como tem sido a recepção do público em diferentes culturas para essa história?
AN | O filme foi selecionado para festivais de cinema. A peça on-line participou de festivais de teatro e o texto tem ganhado outras leituras e montagens pelo mundo. A recepção tem sido calorosa com críticas lindas. Faço um destaque para Vivian Martinez, revista conjunto, muito tradicional de Cuba.
OE | Após a apresentação, haverá um bate-papo com você e a equipe. O que você espera compartilhar e discutir com o público nesse momento?
O melhor do bate-papo é ouvir o público. É sempre muito rico por se tratar de uma obra aberta.
Por: Ismael Azevedo
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