BRF (BRFS3), JBS (JBSS3) e Minerva Foods (BEEF3): Qual dos frigoríficos será o mais afetado pelas tarifas de Trump, segundo o Goldman Sachs

As novas tarifas de Trump, previstas para serem anunciadas nesta quarta-feira (2), acenderam o sinal de alerta entre investidores do setor de proteína animal. Segundo análise do Goldman Sachs, os efeitos das tarifas comerciais projetadas pelo governo dos Estados Unidos podem ter consequências distintas sobre os principais frigoríficos brasileiros listados na bolsa: BRF (BRFS3), JBS (JBSS3) e Minerva Foods (BEEF3).

O presidente Donald Trump deve adotar medidas protecionistas mais amplas, com possibilidade de aplicação de uma tarifa fixa global entre 20% e 25% sobre todas as importações, ou ainda a imposição de tarifas recíprocas. O banco norte-americano avalia que o impacto dependerá da exposição de cada empresa ao mercado norte-americano e da flexibilidade operacional para adaptação a esse novo cenário.

Minerva é a mais exposta, segundo Goldman Sachs

Na visão dos analistas Thiago Bortoluci e Nicolas Sussmann, do Goldman Sachs, a Minerva pode ser o frigorífico mais impactado no curto prazo pelas tarifas de Trump, já que cerca de 15% de suas receitas vêm de exportações aos Estados Unidos.

Entretanto, o relatório destaca que a companhia tem flexibilidade para redirecionar sua produção, utilizando plantas no Uruguai e na Argentina. A relação diplomática entre Trump e Javier Milei, presidente argentino, também pode abrir espaço para acordos comerciais bilaterais que amenizem os impactos diretos sobre a operação da Minerva.

Empresa Receita exposta aos EUA (%) Impacto estimado
Minerva (BEEF3) 15% Alto
JBS (JBSS3) 8% (exportações dos EUA) Moderado
BRF (BRFS3) Menor exposição Baixo

Tarifas de Trump e cenário brasileiro

O relatório do Goldman Sachs também lembra que a carne bovina brasileira entra no mercado americano por meio de cotas tarifárias compartilhadas com outros dez países. A cota atual é de 65.005 toneladas, com uma tarifa fixa de 4,4 centavos de dólar por quilo. Volumes acima desse teto estão sujeitos a uma tarifa de 26,4%.

Em 2025, o Brasil já esgotou sua cota nos primeiros meses do ano, o que significa que novas exportações estariam sujeitas a tributações mais elevadas — algo que poderia inviabilizar economicamente algumas operações.

Por outro lado, o Brasil decidiu suspender temporariamente a tarifa de 10,8% sobre a carne bovina dos EUA, como parte da estratégia do governo Lula para conter a inflação alimentar. Essa decisão pode ser revisitada caso as tarifas de Trump avancem em direção a uma guerra comercial ampla.

BRF é vista como menos vulnerável

No universo analisado, a BRF é apontada como a menos afetada pelas tarifas de Trump, principalmente por sua menor exposição ao mercado dos EUA. A empresa também possui um foco mais relevante em mercados do Oriente Médio, Europa e Ásia, o que a isenta de uma dependência direta da demanda americana.

Ainda assim, o relatório alerta que efeitos indiretos podem surgir. Uma possível sobreoferta de carne suína e de frango nos Estados Unidos, caso as exportações sejam travadas por tarifas, poderia alterar a dinâmica global de preços e afetar os mercados para os quais a BRF exporta.

JBS pode sofrer com pressão doméstica nos EUA

No caso da JBS, o cenário é de atenção. A companhia obtém 8% de sua receita a partir das exportações americanas, o que já coloca parte de seu faturamento em risco. Além disso, cerca de 7% e 13% de seu faturamento vêm, respectivamente, das vendas de carne suína e de frango dentro do próprio mercado dos EUA.

Como 25% da carne suína e 16% do frango produzido nos Estados Unidos são exportados, a imposição de tarifas de Trump sobre esses produtos pode levar a um aumento da oferta doméstica, pressionando preços e margens. Isso impactaria diretamente a operação da JBS em território americano.

Guerra comercial é risco secundário

O Goldman Sachs também levanta a hipótese de uma guerra comercial global, caso outros países adotem medidas retaliatórias às tarifas de Trump. Se isso ocorrer, os EUA podem perder mercado nos principais destinos de sua carne: Japão, Coreia do Sul, China, México, Hong Kong e Canadá.

Nesse cenário, embora a JBS seja mais vulnerável pelas exportações americanas, a Minerva poderia encontrar oportunidades. Por ser uma exportadora de baixo custo com operações diversificadas, a empresa poderia ganhar espaço em mercados que eventualmente substituam a carne americana por alternativas sul-americanas.

Impactos estão no radar dos analistas

Com a iminência de novas tarifas de Trump, os impactos sobre os frigoríficos brasileiros estão no radar dos analistas. O Goldman Sachs aponta a Minerva como a mais exposta, com riscos diretos em função da concentração de receitas nos EUA. A JBS, embora menos dependente, pode sofrer pressão competitiva no mercado doméstico norte-americano. Já a BRF tende a ser a menos afetada no curto prazo, mas também precisa monitorar os desdobramentos de uma possível guerra comercial.

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