
Amostra de álbum previsto para maio, single ‘Não mexe comigo’ é tentativa vã de reviver a ‘loba’, personagem icônica do repertório da artista. Alcione lança hoje, 3 de abril, o inédito single ‘Não mexe comigo’ com música de Igor Leal e Thiago Servo
Divulgação / Marrom Music
♫ OPINIÃO SOBRE DISCO
Título: Não mexe comigo
Artista: Alcione
Cotação: ★ ★
♬ Em julho do ano passado, Alcione apresentou single com samba inédito, Marra de feroz (2024), composto por Xande de Pilares em parceria com Gilson Bernini e Helinho do Salgueiro. Em que pesem as assinaturas, o samba resultou sem força.
Passados nove meses, a cantora dá à luz outro single inédito, Não mexe comigo, amostra de álbum previsto para ser lançado em maio em mais uma parceria do selo da artista, Marrom Music, com a gravadora Biscoito Fino.
Como música, Não mexe comigo é pior do que Marra de feroz. Composição insossa de Igor Leal e Thiago Servo, Não mexe comigo é tentativa vã de fazer Alcione ressuscitar a loba personificada na música de 2001 que ajudou a reanimar a carreira da cantora nos anos 2000.
Repetidos no refrão, os versos “Cuidado, perigo / Sou bicho ferido / Se atacam, revido / Sem medo de me machucar / Não mexe comigo / Que acabo contigo / Mas pode tentar / Sou tua se me conquistar” evidenciam que a personagem de Não mexe comigo é a mesma do eu-lírico de A loba. Só que, dentro desse estilo popular, a música de Paulinho Resende e Juninho Penalva é bem mais inspirada do que a música de 2025.
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Gravada com produção musical e arranjo de Alexandre Menezes, Não mexe comigo tangencia a forma de um samba-canção com alma de balada romântica. É um tipo de música enfatizada na discografia de Alcione na década de 1980. Contudo, no confronto com as composições mais antigas (algumas sedutoras, outras esquecíveis), as atuais sucumbem.
Em rotação a partir de hoje, 3 de abril, o single Não mexe comigo levanta mais uma vez a questão: por que uma cantora da potência de Alcione, do alto dos 77 anos de vida e 53 de carreira, continua dando voz a esse tipo de música? Por questão mercadológica já não é, pois a cantora já se libertou há anos do domínio dos diretores artísticos das gravadoras multinacionais.
Talvez seja simplesmente questão de gosto. E gosto pode até ser discutido ou lamentado em uma resenha, mas ninguém pode mudar o gosto alheio. Cada um canta e/ou grava o que gosta…
Capa do single ‘Não mexe comigo’, de Alcione
Divulgação