A Estrela Vermelha Brilha Sobre a China [Edgar Snow]

“Para um povo privado de sua liberdade nacional, a tarefa revolucionária não é o socialismo imediato, mas a luta pela independência. Não podemos pensar em dirigir o comunismo se não tivermos um país para praticá-lo.”
— Mao Zedong
A Estrela Vermelha Brilha Sobre a China (Hóngxīng Zhàoyào Zhōngguó – 红星照耀着中国) é a obra-prima do jornalista Edgar Snow, que se embrenhou na China profunda e pré-revolucionária com o objetivo de entrevistar Mao Zedong, além de outros membros da cúpula do Partido Comunista Chinês e do Exército de Libertação Popular (Vermelho). O resultado foi um extenso volume de 517 páginas, traçando um raio X completo da movimentação que levou à formação da Frente Unida antijaponesa e à exitosa Revolução de 1949.
CAPÍTULO 3.1 – MAO ZEDONG: O HOMEM FORTE DO SOVIETE
“Aqui [Bao’an], finalmente encontrei o líder contra o qual Nanquim lutava há dez anos: Mao Zedong, presidente da ‘República Soviética da China’, para assim empregar o título recém-adotado. O antigo nome, ‘República Soviética dos Trabalhadores e Camponeses da China’, foi descartado quando os Vermelhos deram início à luta por uma Frente Unida.”
“Encontrei Mao pouco após minha chegada: uma figura magra, que de alguma forma me lembrava Abraham Lincoln. Era alto para um chinês, ligeiramente curvado, com cabelos negros, cheios e relativamente longos. Seus olhos eram inquisitivos, com um dorso nasal alto e maçãs do rosto proeminentes. Minha impressão imediata foi a de um rosto intelectual e perspicaz, mas não tive a oportunidade de vê-lo novamente por muitos dias.
A próxima vez que o encontrei foi ao entardecer. Mao caminhava sem chapéu pela rua, conversando com dois jovens camponeses e gesticulando seriamente. Eu não o reconheci até que alguém o apontasse enquanto eu passeava com outros transeuntes — apesar dos 250 mil yuans que Nanquim oferecia por sua cabeça.”
“Nunca haveria um ‘salvador da China’, mas certamente se sentia uma força do destino em Mao. Não era nada imediato ou reluzente, mas um tipo de vitalidade elementar. O que qualquer indivíduo poderia perceber de grandiosidade em Mao emanava de sua desconcertante capacidade de sintetizar e expressar as exigências de milhões de chineses, especialmente do campesinato. Se as exigências e os movimentos que os propulsionaram fossem a dinâmica capaz de rejuvenescer a China, então, sob uma perspectiva solidamente histórica, Mao Zedong tornou-se um grande homem.”
P.S.: Edgar Snow foi o primeiro jornalista ocidental a entrevistar Mao Zedong (1936/37).

FERNANDO MAGALHÃES
ASS. TÉC. DA ALECE

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