O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou o primeiro trimestre de 2025 com uma rentabilidade de 16,78% em dólares, ocupando a sétima melhor posição entre os 21 principais índices globais, conforme dados analisados pela consultoria Elos Ayta.
O desempenho é atribuído especialmente ao câmbio. No trimestre, o índice registrou alta de 8,29% em reais, com uma valorização de 7,84% da moeda frente ao dólar, impulsionando o desempenho do índice em moeda estrangeira.
Essa performance não era vista desde o quarto trimestre de 2023, quando o índice avançou 19,07% em dólares, também impulsionado pela valorização do real no período.
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Europa e América Latina lideram ranking global
O Euro Stoxx 50, que representa as maiores empresas da Zona do Euro, liderou os ganhos no trimestre, com uma rentabilidade de 22,13% em dólares, impulsionada pela valorização de 4,35% do euro perante a moeda norte-americana.
A segunda posição no ranking ficou com o MSCI Colcap, da Colômbia, que registrou alta de 21,73%, seguido pelo IPSA, do Chile, que avançou 19,53% nos últimos três meses.
Os índices chineses também se destacaram. O FTSE China 50 subiu 18,08% em dólares, enquanto o Hang Seng Index, de Hong Kong, avançou 17,51%.
Entre os mercados europeus, Alemanha e Itália tiveram ganhos expressivos de 16,16% e 16,15% em dólares, respectivamente, com desempenho motivado pela recuperação econômica na região.
EUA e Japão seguem na contramão
Enquanto alguns mercados tiveram um desempenho positivo, os Estados Unidos e o Japão apresentaram quedas no primeiro trimestre.
O índice Nasdaq caiu 10,42% no trimestre, registrando sua pior performance desde o segundo trimestre de 2022, quando caiu 22,44%. O Nikkei 225, da Bolsa de Tóquio, recuou 6,71% em dólares, marcando sua maior queda desde 2024. Já o S&P 500 e o Dow Jones, principais índices de Wall Street, tiveram perdas de 4,59% e 1,28%, respectivamente.
Entre todos os mercados, a Argentina tem o pior desempenho global. O índice Merval caiu 11,25% em dólares, impactado pela forte desvalorização do peso argentino e por incertezas macroeconômicas.
Ibovespa sobe, enquanto volume financeiro recua
O estudo da Elos Ayta aponta um comportamento incomum na B3 nos últimos dois anos: o Ibovespa teve forte valorização desde março de 2023, enquanto o volume médio diário do mercado à vista coleciona quedas significativas. Tal movimento chama atenção para sustentação da alta e a dinâmica dos investidores no mercado.
Confira o volume financeiro de negociações na B3 ao longo do trimestre:

O levantamento revela que no primeiro trimestre deste ano, o volume foi de R$ 18,29 bilhões, patamar semelhante ao registrado no 3º trimestre de 2024 (R$ 18,15 bilhões) e próximo ao observado no 4º trimestre de 2019. (R$ 17,3 bilhões), além de ser um dos menores volumes de negociação desde 2021. Desde então, a liquidez recuou 42,7% em relação ao pico registrado naquele período.
Analisando o desempenho do Ibovespa no mesmo período, entre março de 2023 e março de 2025, o índice avançou cerca 28%, mas sem um crescimento proporcional no volume negociado, o que seria esperado.
Razões para a queda da liquidez
A partir dos dados analisados em todo esse período, o estudo sugere que a liquidez do mercado à vista, apesar da alta do índice, possa ser atribuída aos seguintes fatores:
- Menor participação de investidores individuais: a alta dos juros entre 2021 e 2023 tornou a renda fixa mais atrativa, reduzindo o interesse pela Bolsa e reduzindo a liquidez.
- Concentração em poucos ativos: empresas como Petrobras, Vale e grandes bancos puxaram a alta, mas sem uma participação ampla do mercado, podendo estagnar o volume financeiro.
- Atuação dos investidores estrangeiros: o fluxo internacional pode estar direcionado a ativos específicos, deixando outros papéis com baixa liquidez.
- Mudança no perfil dos investidores: fundos de investimento e gestores institucionais podem estar adotando estratégias mais conservadoras ou investindo com menor frequência, reduzindo o giro do mercado.
- Ajuste estrutural do mercado: mudanças econômicas e regulatórias desde o auge da bolsa em 2020-2021 impactaram o volume de negociação.
Projeções para a Bolsa nos próximos meses
Para que a alta do Ibovespa seja sustentável no longo prazo, o ideal é que o aumento dos preços das ações fosse acompanhado por um aumento na liquidez. Caso contrário, o mercado pode ficar mais suscetível a correções e períodos de maior volatilidade, aponta o estudo.
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Em um cenário em que as características do volume financeiro persistam, deve-se observar se as negociações são concentradas em poucos papéis ou se há uma retomada de interesse dos players de mercado, considerando, sobretudo, fatores relevantes como os juros, a inflação e o apetite por risco no cenário global, que podem definir os rumos da B3 nos próximos meses.
O post Ibovespa fica entre os melhores do mundo em 2025, com valorização do real apareceu primeiro em Monitor do Mercado.