Você já deve ter ouvido falar que, em momentos de incerteza econômica, a renda fixa ganha protagonismo. Pois é exatamente isso que estamos vendo no início deste segundo trimestre de 2025. O relatório mais recente do BTG Pactual mostra que os gestores estão adotando uma postura mais conservadora, dando preferência a emissores de setores mais estáveis e com baixo nível de endividamento. Em meio a juros ainda elevados, as oportunidades continuam aparecendo — mas com uma palavra de ordem: cautela.
Neste conteúdo, vamos explorar o cenário atual para Renda Fixa e Crédito Privado e mostrar o que está no radar dos investidores que buscam segurança, retorno e equilíbrio na alocação de seus recursos.
Panorama econômico: o que está mexendo com os mercados
Lá fora, o mundo segue atento às movimentações do governo dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump prometeu anunciar nesta semana um novo pacote de tarifas comerciais recíprocas, e isso tem deixado os mercados em alerta. Nos EUA, os dados de atividade e consumo vieram mais fracos no início do ano, o que já levou alguns analistas a reduzirem suas projeções de crescimento por lá. Isso tem impulsionado o fluxo de capital para mercados emergentes — como o Brasil.
Por aqui, o governo federal anunciou algumas medidas com potencial de impacto sobre a economia, como a liberação do FGTS para demitidos que optaram pelo saque-aniversário, mudanças no crédito consignado para trabalhadores CLT e a proposta de isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Tudo isso acontece em um ambiente de política monetária ainda restritiva, o que gera um certo dilema: estimular o consumo sem descuidar do equilíbrio fiscal.
O BTG projeta um déficit primário de R$ 31 bilhões para este ano e destaca que a tramitação da Reforma do IR segue indefinida, adicionando mais uma camada de incerteza.
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O que está acontecendo no crédito privado
O mercado de Renda Fixa e Crédito Privado mostrou estabilidade nos spreads em março. Isso quer dizer que os prêmios pagos pelos títulos para além do CDI ou do IPCA não variaram tanto. O IDA-IPCA Infraestrutura, por exemplo, fechou o mês com spread médio de 34 pontos-base (bps), enquanto a taxa indicativa ficou em IPCA+8,09% — um belo retorno real. Já o IDA-DI manteve a taxa média em CDI+2,1%.
As emissões somaram R$ 44 bilhões em fevereiro, com 37% desses títulos distribuídos ao mercado. No acumulado de 2025, o total emitido chegou a R$ 83 bilhões, uma alta de 52% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Indicador | Fevereiro 2025 | Março 2025 |
---|---|---|
Spread IDA-IPCA Infra | 36 bps | 34 bps |
Taxa média IDA-IPCA Infra | IPCA+7,97% | IPCA+8,09% |
Taxa média IDA-DI | CDI+2,1% | CDI+2,1% |
Volume total emitido (R$) | 40 bi | 44 bi |
% distribuído ao mercado | 33% | 37% |
Mesmo com os spreads relativamente estáveis, a abertura nas curvas NTN-B (títulos públicos atrelados à inflação) tem puxado para cima as taxas nominais — e isso é bom para quem investe em renda fixa, pois amplia o retorno esperado dos papéis.
Onde investir em abril: recomendações por tipo de título
O BTG reforça sua preferência por ativos indexados ao CDI e à inflação. Para quem busca investir agora, os papéis com vencimento em até 3 anos são os mais indicados. Se você já tem títulos mais longos, a recomendação é manter. Mas se estiver pensando em entrar agora em papéis prefixados longos, talvez seja melhor esperar um pouco.
Tipo de Título | Curtos | Médios | Longos | Muito Longos |
CDI | Comprar | Comprar | Comprar | Manter |
IPCA+ | Comprar | Comprar | Manter | Manter |
Prefixado | Comprar | Manter | Vender | Vender |
Essa estratégia reflete a volatilidade esperada nas curvas de juros, o que exige cuidado redobrado na hora de escolher vencimentos mais longos.
E os títulos públicos?
As taxas dos títulos públicos continuam pressionadas. Os prefixados (LTN) com vencimento até 2026 pagam acima de 15%, enquanto os papéis atrelados ao IPCA (NTN-B) com vencimentos superiores a 2028 oferecem retorno real próximo de IPCA+8%.
Título | Vencimento | Taxa (mar/25) |
LTN 2026 | 01/01/2026 | 15,06% |
LTN 2028 | 01/01/2028 | 14,84% |
NTN-B 2029 | 15/05/2029 | IPCA+8,01% |
NTN-B 2035 | 15/05/2035 | IPCA+7,63% |
Com taxas assim, a renda fixa volta a ser um dos ativos mais atrativos da carteira, inclusive frente à renda variável, principalmente para quem prioriza previsibilidade.
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Renda Fixa e Crédito Privado: Foco em qualidade e seletividade
Se você está montando ou ajustando sua carteira de investimentos neste mês, vale olhar com atenção para a Renda Fixa e Crédito Privado. O cenário ainda pede cuidado, mas há boas oportunidades para quem tem objetivos de médio e longo prazo. A recomendação dos analistas é manter uma postura seletiva, escolhendo bons emissores e avaliando bem os prazos e indexadores.
Em um momento de volatilidade local e internacional, títulos bem escolhidos podem oferecer não só rentabilidade, mas também a segurança que tanto buscamos. E quando o assunto é dinheiro, segurança nunca é demais.
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