7 magníficas sofrem impacto com novas sanções da União Europeia

As 7 magníficas, grupo que reúne as principais empresas de tecnologia do mercado global — Microsoft, Apple, Nvidia, Alphabet, Amazon, Meta e Tesla — enfrentam um cenário mais adverso no início de 2025, marcado por pressões regulatórias crescentes e desempenho negativo das ações. Segundo relatório do BTG Pactual, o novo ciclo de correções foi motivado por fatores externos, com destaque para a entrada em vigor do Digital Markets Act (DMA), legislação europeia que impõe restrições a plataformas dominantes no ambiente digital.

O documento destaca que Apple e Meta devem ser as primeiras penalizadas formalmente sob o novo regime regulatório europeu, com multas esperadas já na próxima semana. Embora os valores não devam ser elevados inicialmente, os impactos reputacionais e os riscos de sanções periódicas preocupam o mercado.

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Regulação e risco jurídico no radar das big techs

O Digital Markets Act estabelece regras rígidas para empresas classificadas como “gatekeepers” — aquelas que exercem papel dominante no acesso a plataformas digitais. Entre as práticas proibidas estão o uso exclusivo de dados de usuários para favorecer produtos próprios e a imposição de barreiras para que consumidores troquem de serviços.

A Apple poderá ser penalizada por condutas consideradas abusivas em seu ecossistema, especialmente relacionadas à App Store. Já a Meta será alvo de sanções por exigir consentimento explícito para uso de dados em versões sem anúncios. A Alphabet e a Amazon, outras integrantes das 7 magníficas, já enfrentaram penalidades em anos anteriores sob regras antitruste da UE.

Segundo o BTG, a aplicação de sanções segue uma tendência global de intensificação da supervisão sobre grandes empresas de tecnologia, especialmente aquelas com forte integração vertical e elevado poder de mercado.

Apple, Meta e Microsoft sob pressão

As ações da Apple e da Meta lideraram as quedas no grupo das 7 magníficas na última semana de março. A Apple, além da regulação, também enfrenta questionamentos sobre sua capacidade de crescimento em meio à desaceleração das vendas de hardware. Apesar disso, a companhia negocia com múltiplos em linha com sua média histórica, e apresenta um retorno sobre patrimônio (ROE) significativamente ampliado, atingindo 145% no período entre 2020 e 2024 — reflexo da expansão da divisão de serviços.

No caso da Microsoft, o alerta recente veio da startup chinesa DeepSeek, que se destacou ao lançar rapidamente um modelo de inteligência artificial otimizado para chips da Nvidia. O CEO Satya Nadella reconheceu que a agilidade da concorrente revelou a necessidade de resultados mais tangíveis por parte da equipe do Copilot, que ainda não alcançou ampla adoção. A Microsoft segue, contudo, com fundamentos sólidos e expansão do Azure, principal motor de crescimento da empresa.

Ameaça competitiva no setor de inteligência artificial

O avanço da DeepSeek também chamou atenção pela sua capacidade de pressionar a estrutura de custos e as projeções de longo prazo da própria Nvidia, uma das 7 magníficas. A startup desenvolveu modelos eficientes que desafiam a hegemonia dos produtos de alto desempenho da fabricante norte-americana.

Esse movimento, somado à volatilidade do setor de IA, impactou diretamente o IPO da CoreWeave, empresa financiada pela Nvidia, que captou menos do que o esperado. O evento foi interpretado como um sinal de menor apetite dos investidores por ativos vinculados à infraestrutura de IA, especialmente em um cenário com múltiplas incertezas regulatórias e comerciais.

Amazon intensifica automação e reduz quadro humano

Entre as 7 magníficas, a Amazon se destacou por adotar uma abordagem mais agressiva na automação de suas operações. A empresa desligou cerca de 200 funcionários ligados ao serviço Fulfillment by Amazon (FBA), substituindo parte das atividades humanas por soluções automatizadas, como o Project Amelia, um sistema de IA voltado ao suporte logístico.

Dados apresentados no relatório indicam que a proporção entre funcionários e robôs na Amazon caiu de 8,0 em 2021 para 2,9 em 2023, reforçando a tendência de robotização e ganhos operacionais. A expectativa é que o uso de IA nas operações continue a crescer, impulsionando a eficiência e reduzindo custos fixos.

Desempenho recente das ações

O desempenho semanal e acumulado das 7 magníficas foi majoritariamente negativo. Segundo os dados do BTG Pactual, empresas como Microsoft (-3,2%), Nvidia (-6,8%), Meta (-3,3%) e Alphabet (-5,9%) apresentaram perdas relevantes. A única exceção no grupo foi a Tesla, que registrou alta de 6% na semana, ainda que acumule queda superior a 34% no ano.

Essas correções reforçam a visão de que o setor de tecnologia está em fase de ajuste, após anos de crescimento acelerado. A combinação de regulação, concorrência crescente em IA e avaliação elevada pressiona os múltiplos de mercado e exige maior seletividade por parte dos investidores.

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Projeções e visão setorial

Apesar dos desafios regulatórios e competitivos, o relatório do BTG mantém visão construtiva para o setor de tecnologia no longo prazo. O grupo das 7 magníficas ainda concentra margens elevadas, modelos de negócios escaláveis e elevado retorno sobre capital. Além disso, a diversificação geográfica e a capacidade de inovação seguem como diferenciais.

No médio prazo, os analistas destacam que a adaptação às regras do Digital Markets Act e o avanço em soluções proprietárias de IA serão fatores-chave para a recuperação do desempenho das ações. A expectativa é que, superado o ciclo de ajustes, o setor retome trajetória positiva, especialmente entre empresas com forte exposição a serviços digitais e cloud computing.

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