
Documento foi enviado ao representante do governo Trump para o Comércio. Brasil tenta negociar alternativas com a Casa Branca a tarifas impostas. O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Lula, em montagem feita pelo g1
Carlos Barria/Reuters e TON MOLINA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou uma manifestação ao governo dos Estados Unidos na qual afirma que a imposição unilateral de restrições tarifárias pode comprometer “severamente” as relações comerciais dos dois países.
O envio da manifestação foi noticiado pelo jornal “Folha de S. Paulo”, e a GloboNews também teve acesso ao documento, encaminhado à página oficial do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês)
A manifestação foi enviada num contexto em que o gabinete do representante do governo Donald Trump para o Comércio abriu consultas públicas sobre os anúncios de tarifas feitos pela Casa Branca.
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Desde que tomou posse, Trump tem anunciado uma série de medidas para impor tarifas sobre produtos importados vendidos para os Estados Unidos, entre as quais a tarifa de 25% sobre aço e alumínio produzidos por outros países, medida que afeta diretamente esses setores no Brasil.
“O governo do Brasil reconhece os esforços do governo dos Estados Unidos para promover o desenvolvimento industrial e a criação de empregos nos Estados Unidos, uma política pública legítima que também é perseguida pelo governo brasileiro”, diz o documento.
“O Brasil insta os Estados Unidos a priorizar o diálogo e a cooperação em vez da imposição de restrições comerciais unilaterais, cujos riscos podem alimentar uma espiral negativa de medidas que poderiam comprometer severamente nossa relação comercial mutuamente benéfica”, acrescenta o governo brasileiro.
Em manifestações públicas, o presidente Lula tem defendido a adoção da reciprocidade, mecanismo diplomático por meio do qual o Brasil poderia implementar as mesmas tarifas comerciais aplicadas pelos Estados Unidos.
Entretanto, outros integrantes do governo brasileiro têm tentado negociar com os Estados Unidos alternativas a essas tarifas.
Nesse contexto, os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) têm feito reuniões com representantes do governo Trump.
Conforme o documento do governo, Brasil e Estados Unidos têm mantido ao longo de 200 anos relações diplomáticas marcadas pela força, pela profundidade e pelos benefícios mútuos.
Acrescentou o governo que, ao longo de dois séculos, as relações comerciais entre os dois países geraram crescimento econômico, criação de empregos e desenvolvimento.
“O governo brasileiro continua disponível, junto com o governo dos Estados Unidos, a lidar com as atuais e futuras questões comerciais, a beneficiar os nossos países, trabalhadores e indústrias”, completa o documento enviado.
‘Grande atenção’ ao tema
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Procurado, o Itamaraty confirmou que o governo brasileiro enviou o documento ao USTR.
“O governo brasileiro tem acompanhado a matéria com grande atenção, diante dos potenciais impactos às exportações brasileiras. Desde a abertura da consulta pública pelo USTR, a Embaixada do Brasil em Washington, o Ministério das Relações Exteriores e o MDIC têm trabalhado em estreita coordenação para apresentar as respostas ao governo norte-americano”, declarou o Itamaraty.
Embora o governo venha falando que uma das opções do Brasil seria acionar a Organização Mundial do Comércio, diplomatas dizem nos bastidores que atualmente a entidade está “paralisada” – em razão da falta de indicação de juízes para o órgão de solução de controvérsias.
E, na prática, a OMC não tem como mediar um eventual acordo nem tem força para garantir a implementação de uma eventual decisão.