
Segundo a família, estudante de Mogi Guaçu (SP) começou a ter sintomas no dia da briga e chegou a ouvir que poderia ter virose ou dengue. Nycollas Otávio Machado, de 11 anos, morreu em Mogi Guaçu
Reprodução/EPTV
Uma família de Mogi Guaçu (SP) busca explicações para a morte de um menino de 11 anos, no último domingo (23), após passar por uma série de atendimentos médicos ao longo de um mês, ficar internado e ter uma hemorragia.
À EPTV, afiliada da TV Globo, a mãe contou que as queixas começaram em 24 de fevereiro, quando Nycollas Otávio Machado teve febre. A partir daquele dia, ele esteve em pelo menos três unidades de saúde e chegou a ouvir que poderia estar com virose ou até dengue.
📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp
No dia 1º de março, a criança deu entrada no Hospital das Clínicas da Unicamp com infecção generalizada e chegou a ficar entubada, mas não resistiu. O atestado de óbito tem como causa da morte hemorragia gastrointestinal, úlcera no duodeno e infecção bacteriana em articulação.
Ainda segundo familiares, no dia em que manifestou os primeiros sintomas, Nycollas teria trocado agressões com um colega da escola que causaram uma lesão no joelho. Um inquérito policial investiga se há relação entre a briga e a alteração no quadro de saúde do menino.
Veja a cronologia de atendimentos do menino conforme relato da família:
24/02 – Nycollas chegou da escola e disse à mãe que não queria comer. Ele teve febre e foi levado ao Posto de Pronto Atendimento Zona Norte, do Hospital Municipal Tabajara Ramos. O médico teria dito que era uma virose e receitou uma medicação para ser tomada em casa.
26/02 – o menino continuou com febre acima de 39ºC e foi novamente levado ao posto. Na ocasião, uma médica afirmou que poderia ser dengue e receitou uma medicação intravenosa. No caminho da sala, a profissional percebeu que ele estava mancando e, só então, a criança relatou que foi atingido no joelho em uma briga. Passou por exame raio-x, mas não foi constatada nenhuma lesão grave.
27/02 – o joelho do menino ficou inchado e ele não conseguia se locomover. A família conta que ele foi levado até o posto e também fez um teste para dengue, mas a mãe não conseguiu retornar para saber o resultado. Um médico receitou paracetamol e, no mesmo dia, Nycollas foi para a Santa Casa com dores e febre, onde recebeu um anti-inflamatório.
28/02 – o menino ainda estava com febre e dor. Ele foi levado para a Santa Casa, onde foram constatadas lesões no joelho. Um médico suspendeu o anti-inflamatório e prescreveu o uso intercalado de dipirona e paracetamol. Também foram orientados a fazer compressas geladas e manter a perna para o alto.
01/03 – o estado de saúde piorou e o menino foi levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) à Santa Casa. Internado, ele passou por vários exames e depois foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica do Hospital das Clínicas da Unicamp. No local ele foi entubado e permaneceu internado por 20 dias.
22/03 – durante o período de internação, o menino chegou a ser extubado e deixou a UTI. A mãe relatou que ele tomava uma injeção anticoagulante, mas no sábado (22) ele apresentou náuseas e teve uma forte hemorragia após a medicação e precisou de uma cirurgia de emergência para contê-la.
23/03 – o menino sofreu uma parada cardíaca e acabou morrendo.
‘Nycollas estava com febre, pedindo socorro’
Thais Meire Machado, mãe de Nycollas, conta que o filho reclamou de dores e nega que os hospitais tenham realizado exame de sangue. “O médico chegou a falar: ‘mãe, não está quebrado o joelho'”. O exame de sangue, não fizeram”.
“Nycollas estava com febre, pedindo socorro baixinho: ‘mãe, tô com dor'”, relembra. “Seu filho está nas últimas. O médico foi sincero para mim, disse que ele estava correndo risco de vida”, lembra.
Ela também questiona a conduta dos hospitais na realização dos exames que poderiam levar ao diagnóstico. “O povo da Santa Casa, o pronto-socorro, foi negligência. Eles chegaram a fazer uma máquina lá depois que ele estava internado. Eu achei que deveria ter feito na hora. Não deveria ter liberado ele”.
“Tá difícil, não está fácil não. Dentro de casa, as coisas [dele], os materiais, os tênis dele, coberta. Não está sendo fácil. Eu peço Justiça pela negligência que foi. O que não pode é que aconteça com outras pessoas, outras famílias não passem pelo que a gente está passando”, desabafou o padrasto Rodinaldo Gomes.
O que dizem os hospitais
O Hospital Municipal Tabajara Ramos diz que Nycollas passou pelo pronto atendimento da unidade entre os dias 24 e 27 com queixas de dor no joelho em decorrência da agressão sofrida na escola.
Afirma que a assistência à criança seguiu os protocolos médicos recomendados, com realização exames de sangue e de imagem que apontavam estado de saúde preservado. Concluiu dizendo que houve fornecimento de medicações.
A Santa Casa de Mogi Guaçu diz que o atendimento prestado ao Nycollas foi relacionado ao joelho. Disse que, no retorno, houve atendimento para a mesma situação, mas que, diante da gravidade do caso, optaram por solicitar a transferência para um hospital que tivesse UTI pediátrica.
Já o Hospital das Clínicas da Unicamp informou que o paciente chegou com infecção generalizada, passou por cirurgia e chegou a ser estabilizado, mas voltou a ter complicações e acabou falecendo.
Agressão em escola
Nycollas era aluno do 6º ano da Escola Estadual Francisco Antonio Gonçalves. Durante a briga com o colega, ele teria sido atingido no joelho com uma garrafa de alumínio. Ainda não se sabe se a agressão pode ter levado ao quadro de saúde, mas um inquérito policial aguarda os laudos necroscópicos.
Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo manifestou pesar pelo falecimento e disse que a equipe regional do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva) está acompanhando de perto o caso.
Afirmou ainda que profissional do programa “Psicólogos nas Escolas” será disponibilizado para fornecer todo o apoio necessário aos colegas de classe e aos professores.
VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região
o
Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.