Na última semana, a construtora PDG Realty entrou no olho do furacão após divulgar um documento afirmando que havia recebido uma proposta de compra da gigante de Hong Kong Sun Hung Kai Properties (SHKP).
O anúncio foi bem recebido pelo mercado, aumentando o volume de negociações do papel e fazendo as ações da companhia (PDGR3) dispararem, saindo de R$ 0,01 para R$ 0,03.
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A informação, no entanto, era falsa e foi desmentida pela própria SHKP, que afirmou não ter qualquer interesse na aquisição — informação noticiada em primeira mão pelo Monitor do Mercado.
Como resposta, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu uma investigação para apurar os fatos e buscar possíveis irregularidades.
No novo episódio do podcast Ligando os Pontos, Marcos de Vasconcellos, CEO do Monitor, conta como a farsa foi desmascarada e como a empresa, que já estava com dificuldades financeiras, terá que enfrentar uma investigação. Veja:
Reação do mercado com a “proposta”
Apesar das ações terem triplicado, representando uma valorização de 200%, o que chamou a atenção foi o aumento expressivo do volume de negociações.
Em um período de quatro meses, a ação registrava um volume médio de R$ 68 mil por dia. Nos dias que antecederam a divulgação do falso documento, esse número saltou para R$ 2 milhões e, nos dias seguintes, ultrapassou R$ 9 milhões.
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Fontes entrevistadas pelo Monitor do Mercado disseram que o movimento levanta suspeitas sobre uma possível manipulação de mercado, situação na qual investidores podem ter comprado ações antes da divulgação do falso anúncio para lucrar com a alta momentânea.
Segundo Marcos, a divulgação dessas informações geram questionamentos sobre a credibilidade das empresas listadas na Bolsa brasileira. E este não é o primeiro caso de falta de transparência. No ano passado, a AgroGalaxy também entrou em polêmica depois de mentir para seus investidores.
Apuração do caso
Depois da divulgação do documento, o Monitor identificou que o documento divulgado pela PDG incluía um e-mail supostamente enviado pela SHKP, assinado por um executivo da empresa.
Investigando a autenticidade da informação, notou-se que o endereço de e-mail não existia, que o site relacionado ao domínio também era falso e que o remente não constava na lista de executivos da SHKP.
Posteriormente, em resposta aos questionamentos feitos, a gigante chinesa negou qualquer envolvimento e afirmou que tomaria medidas legais para proteger sua imagem.
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Já a PDG, inicialmente, não se pronunciou. Mas horas depois da publicação da resportagem afirmou, em novo comunicado, que não podia confirmar se o documento era verdadeiro ou falso e que continuava apurando os fatos.
CVM abre investigação sobre a PDG
A CVM anunciou a abertura de uma investigação para analisar se houve manipulação de mercado e possíveis infrações cometidas pela PDG ou por outros envolvidos. Caso seja comprovada a fraude, os responsáveis podem ser penalizados com multas e outras sanções.
O post PDG e a falsa oferta: o que se sabe até agora? apareceu primeiro em Monitor do Mercado.