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Foi durante um depoimento, em julho de 2024, que Vinícius Gritzbach revelou como a facção criminosa usava instituições financeiras para lavar dinheiro do tráfico de drogas. PF prende policial civil de SP dono de um instituição financeira que lavava dinheiro do PCC
A Polícia Federal e o Ministério Público prenderam um policial civil de São Paulo, dono de uma instituição financeira suspeita de lavar dinheiro do PCC.
Foi durante um depoimento, em julho de 2024, que o delator do PCC Vinícius Gritzbach revelou como a facção criminosa usava instituições financeiras para lavar dinheiro do tráfico de drogas. O Jornal Nacional teve acesso com exclusividade à gravação em que o delator explica como os bandidos faziam para comprar imóveis de luxo:
“Comprar um apartamento de R$ 5 milhões. Só que está em espécie. Eu acredito que ele não vai conseguir comprar em lugar nenhum. Ele manda para fintech, a fintech bancariza e deposita na conta que ele indicar”.
Exclusivo: JN tem acesso à gravação em que delator do PCC explica como bandidos compravam imóveis de luxo
Reprodução/TV Globo
Gritzbach foi assassinado em novembro de 2024. As pistas fornecidas por ele no depoimento ajudaram os investigadores a desvendar o esquema. Nesta terça-feira (25) de manhã, policiais federais e promotores de justiça cumpriram dez mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva. O alvo principal da Operação Hydra era o agente da Polícia Civil de São Paulo Cyllas Salerno Elia Junior, criador e dono do 2GO Bank, uma das instituições financeiras citadas por Gritzbach.
Cyllas já tinha sido preso em novembro de 2024 pela Polícia Federal, suspeito de movimentar R$ 6 bilhões para contrabandistas internacionais. Saiu da prisão em dezembro, beneficiado por um habeas corpus, e voltou a trabalhar como policial civil em janeiro de 2025.
Agente da Polícia Civil de São Paulo Cyllas Salerno Elia Junior, criador e dono do 2GO Bank, uma das instituições financeiras citadas por Gritzbach
Reprodução/TV Globo
Os investigadores também fizeram buscas na sede do InvBank, na Grande São Paulo. Segundo os promotores, dois traficantes de drogas ligados ao PCC eram sócios ocultos da instituição. Só o traficante Anselmo Santa Fausta, assassinado em 2021, movimentou mais de R$ 11 milhões no InvBank.
“O que se fazia nessas instituições por parte de alguns criminosos, inclusive ligados ao PCC, era o aporte de crédito em nome de laranjas, de pessoas fictícias, a fim de mascarar e velar a origem e a identidade dos verdadeiros beneficiários desses recursos” diz, o promotor de justiça Lincoln Gakiya.
O esquema funcionava assim: o dinheiro que o PCC arrecadava com o tráfico de drogas era transferido para o 2GO Bank e para o InvBank por meio de empresas de fachada. Em seguida, essas instituições mandavam os valores para contas de “laranjas”, que muitas vezes nem sabiam que seus nomes estavam sendo usados pelos bandidos. Toda essa operação financeira servia para lavar o dinheiro ilícito, que depois era usado pelos traficantes para comprar imóveis.
Dinheiro que o PCC arrecadava com o tráfico de drogas era transferido para o 2GO Bank e para o InvBank
Reprodução/TV Globo
A Justiça acolheu o pedido do Ministério Público e suspendeu o funcionamento do 2GO Bank e do InvBank. Na mesma decisão, o juiz determinou o bloqueio e o sequestro de até R$ 28 milhões das pessoas e das empresas investigadas.
A defesa de Cyllas Salerno Elia Junior declarou que vai provar a inocência dele.
A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo disse que colabora com as investigações.
A Febraban declarou que os bancos atuam em parceria com os órgãos oficiais para monitorar as transações financeiras.
O Banco Central afirmou que está fortalecendo a regulação das empresas que prestam serviços financeiros, principalmente em ambientes digitais.
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