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Influenciador norte-americano tem mais de 500 milhões de seguidores nas plataformas digitais. Na última semana ele foi filmado caminhado na orla de Santos, no litoral de São Paulo. O g1 confirmou que ele veio ao país gravar um programa na Ilha das Cobras, que fica entre Itanhaém. MrBeast visita ilha com a 2ª maior concentração de cobras do mundo no litoral de SP
Rafael Benetti e Steven Kahn
O influenciador digital Jimmy Donaldson, mais conhecido como MrBeast, realizou uma gravação na Ilha da Queimada Grande, popularmente chamada de Ilha das Cobras, localizada entre Itanhaém e Peruíbe, no litoral paulista. O youtuber norte-americano, que ultrapassa os 500 milhões de seguidores, foi flagrado na última semana caminhando pela orla de Santos.
A gravação de MrBeast na ilha foi confirmada pelo g1 pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), gestor da unidade de preservação ambiental, que oferece riscos aos visitantes devido ao grande volume de serpentes venenosas.
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A ‘Ilha das Cobras’ é considerada a 2ª com maior densidade populacional de cobras no planeta, com cerca de 45 indivíduos por hectare — área de 100 metros de largura por 100 de comprimento, equivalente a um campo de futebol (veja mais abaixo)
São cerca de 430 mil metros quadrados de solo rochoso, sem praias arenosas e sem fontes de água doce. O local ainda é considerado o único habitat de uma das espécies de serpentes mais venenosas do mundo, a jararaca-ilhoa.
Jimmy Donaldson, o Mr. Beast, fez gravação na Ilha da Queimada Grande, no litoral de São Paulo
Richard Shotwell/Invision/AP e João Marcos Rosa
O ICMBio informou que o apresentador esteve no local na última semana. O órgão federal ressaltou que todas as regras exigidas pela pasta para visitação foram respeitadas pela produção do programa conduzido pelo norte-americano, e que as gravações ocorreram sem nenhum problema.
MrBeast e a equipe foram acompanhados por profissionais capacitados, especialmente em primeiros socorros e na elaboração de um planejamento detalhado da visita (confira mais abaixo).
E o Neymar?
Neymar comemora gol marcado contra o Água Santa, o primeiro desde a volta ao Santos
Raul Baretta/Santos FC
No último domingo (23), o youtuber fez uma aparição na orla de Santos (SP) e deixou muitos fãs intrigados pelo motivo da visita. Nas redes sociais, as pessoas relacionaram a vinda a um possível encontro com Neymar Jr., recém contratado pelo Santos FC.
Considerado o maior influenciador do mundo pela Forbes, Jimmy é conhecido por vídeos com distribuição de brindes e prêmios em dinheiro de alto valor, além de trabalhos de caridade. Os vídeos do criador de conteúdo incluem desafios, como passar horas na Antártica.
Além disso, ele é o apresentador da série Beast Games, disponível na plataforma Amazon Prime Video. O g1 questionou, porém o ICMBio não revelou quais foram as atividades gravadas durante o período.
Como visitar a Ilha das Cobras? 🤔
Ilha da Queimada Grande localiza-se a mais de 30 quilômetros das praias de Itanhaém, SP
Leo Francini/Divulgação
A autorização para visitar a Ilha da Queimada Grande é feita pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), por meio do Sistema SISBio ou conforme orientação do ICMBio Iguape.
Para acessá-la, é necessário um planejamento detalhado e o acompanhamento de profissionais experientes e capacitados, especialmente em primeiros socorros e resgates em ambientes naturais.
Além disso, é recomendada a elaboração de um plano de contingência que inclua equipamentos adequados de resgate, comunicação e monitoramento constante das condições climáticas.
Quais as regras? 🚨
De acordo com o ICMBio, entre as principais regras, está a proibição de tocar ou perseguir a fauna local, capturar ou matar animais, causar perturbações ou deixar resíduos. Dessa forma, todo material gerado durante a expedição deve ser removido para descarte adequado.
O uso de drones é permitido apenas com autorização específica do DECEA (Sistema SARPAS) e seguindo as normas estabelecidas para a proteção das espécies locais.
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Como é a Ilha? 🏝️
A Ilha da Queimada Grande, conhecida também como Ilha das Cobras, possui a segunda maior densidade populacional de cobras do mundo.
Ligia Amorim
O ICMBio descreve a Ilha da Queimada Grande como um ambiente selvagem, inóspito, em que não se pode viver e sem qualquer infraestrutura como abrigos, portos ou trilhas estruturadas.
A ilha é caracterizada por vegetação espinhosa, terrenos íngremes e presença frequente de serpentes peçonhentas como a jararaca-ilhoa, espécie endêmica e criticamente ameaçada.
Cobras encaram visitantes 👀
Recentemente, o biólogo Eric Comin, que já visitou a unidade de conservação algumas vezes, compartilhou a experiência dele com o g1, e disse que não desembarcaria mais no local.
“São muitas serpentes. A partir do momento que você começa a subir a mata, que é fechada, para onde você olha, vê algumas serpentes. Em cima, no tronco [sobre] sua cabeça, ao lado, só que elas são extremamente tranquilas”, disse.
O biólogo contou que um especialista, que acompanha a expedição, abre o caminho tirando as cobras do chão para que os pesquisadores consigam caminhar. “Ele espanta do chão, vai tirando elas para a galera passar”.
Além da jararaca-ilhoa, endêmica na Ilha da Queimada Grande, cobra dormideira é outra espécie do local
Instituto Butantan
“Geralmente nessas expedições você fica alguns dias na ilha, então sobe com equipamentos, com água e com tudo mais. Essas [cobras] não são agressivas, são bem tranquilas, elas não vêm para cima [da gente], elas só te olham, aquela coisa de te olhar nos olhos, é bem interessante”.
O biólogo contou que chegou a ficar bem perto delas, inclusive da jararaca-ilhoa, que é venenosa e só tem na ilha: “Superlegal, uma coisa bem bacana, só que é sinistro. É um animal lindo de se ver, é bem legal mesmo” (leia mais sobre a espécie abaixo).
Ele explicou que demorou um tempo para desembarcar na ilha e participar de uma expedição. “Criei coragem, desembarquei. Hoje desembarcaria? Não sei, eu já desembarquei, acho que hoje eu não tenho mais a necessidade […], mas ir para lá para mergulhar, é só me convidar que eu vou”.
Eric reforçou que o acesso à ilha não é permitido, mas que o mergulho no entorno é liberado. “Essa serpente não vai para a água e, mesmo você estando próximo ao costão rochoso da ilha, você não consegue ver as cobras, então para você ver as serpentes tem que ser com o desembarque”.
“Elas são extremamente terrestres, a adaptação delas é terrestre, elas não são animais aquáticos, então assim, não tem nenhum tipo de risco em relação ao mergulho e serpentes”, complementou.
Mergulho 🤿
Ilha da Queimada Grande, entre Itanhaém e Peruíbe (SP)
Eric Comin
Para o biólogo, a Ilha da Queimada Grande é “um verdadeiro hotspot [uma região natural com uma grande biodiversidade e em risco de extinção] de conservação”. “É um dos melhores pontos de mergulho do estado de São Paulo […]. Ali é rota de espécies migratórias”.
Eric afirmou que no entorno da ilha são encontradas raia-manta, raia-chita, raia-prego, raia-borboleta, além de uma diversidade de peixes e de corais. “A gente tem uma diversidade de peixes totalmente incrível, tem tartarugas, é rota de baleias”.
Para ele, o mar da ilha tem condição de água limpa durante quase o ano todo. “Ali a gente consegue mergulhar dentro de áreas abrigadas do vento […]. Temos mergulhos para todos os níveis, temos naufrágios, que acho que é um grande atrativo para o turismo de mergulho”.
Jararaca-ilhoa 🐍
Jararaca-ilhoa na Ilha da Queimada Grande, conhecida como 2ª com maior densidade de cobras do mundo
João Rosa
A jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), de acordo com o biólogo, é considerada uma das cobras mais peçonhentas e perigosas do mundo. “Ela é uma jararaca de coloração meio esverdeada com tom voltado ao amarelo. Com isso, ela tem uma camuflagem muito boa”.
Ela se adaptou na ilha devido a um isolamento geográfico da glaciação. “Acredita-se que foi isso e, nesse isolamento, ela teve que caçar aves do continente que vão até a ilha. Para ela caçar essas aves, se ela pica a ave e a peçonha não é forte, a ave voa, vai embora e cai em outro lugar”.
Por isso, a espécie se adaptou para picar e, consequentemente, provocar a morte imediata do animal. O biólogo afirmou que a serpente não cresce muito, mas mede aproximadamente um metro de comprimento. No entanto, a picada é equivalente a de quatro jararacas. “É muito forte”.
“Dentro desse isolamento geográfico […] a peçonha dela se potencializou de uma tal forma que a partir do momento que ela dava o bote, a ave já morria e ficava no galho”, complementou.
Ele afirmou que essa espécie de jararaca é extremamente endêmica, ou seja, só existe na Ilha da Queimada Grande. O biólogo relembrou alguns experimentos que teve em conjunto com pesquisadores do Instituto Butantan durante as visitas na ilha.
“A gente tinha que encontrar os animais [cobras] no chão, enrolado em ponto de ataque. Era assim, você soltava o camundongo, ele passava perto dela, ela dava o bote e ele já estava morto. Eu nunca [tinha visto] coisa dessa”, contou.
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