Carnavalesco Jack Vasconcelos vai levar para a Avenida a história da primeira mulher trans documentada no Brasil. Série do g1 resume, nas palavras dos próprios autores do carnaval das escolas do Grupo Especial, o que será levado para a Sapucaí. g1 no carnaval 2025: conheça o enredo da Paraíso do Tuiuti
“Esse é o maior manifesto que a gente pode passar na Avenida. É mostrar essas mulheres travestis vivas e felizes pro mundo todo.”
A Paraíso do Tuiuti vai mergulhar na história de Xica Manicongo, a primeira mulher trans documentada no Brasil e que carrega em si a resistência e a luta por identidade e liberdade, segundo disse o carnavalesco Jack Vasconcelos ao g1, para a série em que os carnavalescos resumem os enredos de suas escolas (veja no vídeo acima e leia abaixo).
Veja o que disse Jack Vasconcelos sobre o enredo “Quem tem medo de Xica Manicongo?”
“Nosso enredo fala sobre a Xica Manicongo, a primeira travesti não indígena documentada da história do Brasil. Em 1591, ela foi processada pelo Santo Ofício, na Bahia. Foi o lugar que ela foi levada depois de ser escravizada na África.”
Saiba tudo sobre o carnaval do Rio
Batizada como Francisco, seu nome e identidade não refletiam quem ela realmente era. Dentro da dura realidade da escravidão, Xica buscou preservar suas práticas religiosas e encontrou refúgio junto ao povo Tupinambá, na Bahia, onde trocou saberes e vivências em um contexto de aprendizado coletivo e resistência cultural.
“Ela era uma sacerdotisa da quimbanda. Ela é vendida como se fosse um homem. E ela foi liberta quando ela conheceu os indígenas da tribo Tupinambá, e apresentaram para aquela sacerdotisa da quimbanda a magia do Catimbó.”
Catimbó é uma prática religiosa que combina elementos do catolicismo, crenças africanas e indígenas. Realizado com rituais que envolvem cânticos, danças e o uso de ervas, busca comunicação com espíritos para cura e proteção. É comum nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.
“A gente fecha o enredo mostrando como a Xica Manicongo, como uma ‘transcestral’ da comunidade trans, continua protegendo e continua orientando as mulheres trans e travestis nessa luta.”
Saiba tudo sobre o carnaval do Rio
Enredo e Samba: Tuiuti canta Xica Manicongo, escravizada e 1ª mulher trans documentada do Brasil
Confira o samba-enredo
Só não venha me julgar Ô Ô
Pela boca que eu beijo
Pela cor da minha blusa
E a fé que eu professar
Não venha me julgar
Eu conheço o meu desejo
Este dedo que acusa
Não vai me fazer parar
Faz tempo que eu digo não
Ao velho discurso cristão
Sou Manicongo
Há duas cabeças em um coração
São tantas e uma só
Eu sou a transição
Carrego dois mundos no ombro
Vim Da África Mãe Eh Oh
Mas se a vida é vã Eh Oh
Mumunha
Jimbanda me fiz
N Ganga é raiz
Eu pego o touro na unha
A bicha, invertida e vulgar
A voz que calou o “Cis tema”
A bruxa do conservador
O prazer e a dor
Fui pombogirar na Jurema
Chama a Navalha, a da Praia e a Padilha
As perseguidas na parada popular
E a Mavambo reza na mesma cartilha
Pra quem tem medo o meu povo vai gritar
Eu travesti
Estou no cruzo da esquina
Pra enfrentar a chacina
Que assim se faça
Meu Tuiuti
Que o Brasil da terra plana,
Tenha consciência humana
Chica vive na fumaça
Eh! Pajubá!
Acuendá sem xoxá pra fazer fuzuê
É Mojubá
Põe marafo, fubá e dendê (Pra Exu)
“Esse é o maior manifesto que a gente pode passar na Avenida. É mostrar essas mulheres travestis vivas e felizes pro mundo todo.”
A Paraíso do Tuiuti vai mergulhar na história de Xica Manicongo, a primeira mulher trans documentada no Brasil e que carrega em si a resistência e a luta por identidade e liberdade, segundo disse o carnavalesco Jack Vasconcelos ao g1, para a série em que os carnavalescos resumem os enredos de suas escolas (veja no vídeo acima e leia abaixo).
Veja o que disse Jack Vasconcelos sobre o enredo “Quem tem medo de Xica Manicongo?”
“Nosso enredo fala sobre a Xica Manicongo, a primeira travesti não indígena documentada da história do Brasil. Em 1591, ela foi processada pelo Santo Ofício, na Bahia. Foi o lugar que ela foi levada depois de ser escravizada na África.”
Saiba tudo sobre o carnaval do Rio
Batizada como Francisco, seu nome e identidade não refletiam quem ela realmente era. Dentro da dura realidade da escravidão, Xica buscou preservar suas práticas religiosas e encontrou refúgio junto ao povo Tupinambá, na Bahia, onde trocou saberes e vivências em um contexto de aprendizado coletivo e resistência cultural.
“Ela era uma sacerdotisa da quimbanda. Ela é vendida como se fosse um homem. E ela foi liberta quando ela conheceu os indígenas da tribo Tupinambá, e apresentaram para aquela sacerdotisa da quimbanda a magia do Catimbó.”
Catimbó é uma prática religiosa que combina elementos do catolicismo, crenças africanas e indígenas. Realizado com rituais que envolvem cânticos, danças e o uso de ervas, busca comunicação com espíritos para cura e proteção. É comum nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.
“A gente fecha o enredo mostrando como a Xica Manicongo, como uma ‘transcestral’ da comunidade trans, continua protegendo e continua orientando as mulheres trans e travestis nessa luta.”
Saiba tudo sobre o carnaval do Rio
Enredo e Samba: Tuiuti canta Xica Manicongo, escravizada e 1ª mulher trans documentada do Brasil
Confira o samba-enredo
Só não venha me julgar Ô Ô
Pela boca que eu beijo
Pela cor da minha blusa
E a fé que eu professar
Não venha me julgar
Eu conheço o meu desejo
Este dedo que acusa
Não vai me fazer parar
Faz tempo que eu digo não
Ao velho discurso cristão
Sou Manicongo
Há duas cabeças em um coração
São tantas e uma só
Eu sou a transição
Carrego dois mundos no ombro
Vim Da África Mãe Eh Oh
Mas se a vida é vã Eh Oh
Mumunha
Jimbanda me fiz
N Ganga é raiz
Eu pego o touro na unha
A bicha, invertida e vulgar
A voz que calou o “Cis tema”
A bruxa do conservador
O prazer e a dor
Fui pombogirar na Jurema
Chama a Navalha, a da Praia e a Padilha
As perseguidas na parada popular
E a Mavambo reza na mesma cartilha
Pra quem tem medo o meu povo vai gritar
Eu travesti
Estou no cruzo da esquina
Pra enfrentar a chacina
Que assim se faça
Meu Tuiuti
Que o Brasil da terra plana,
Tenha consciência humana
Chica vive na fumaça
Eh! Pajubá!
Acuendá sem xoxá pra fazer fuzuê
É Mojubá
Põe marafo, fubá e dendê (Pra Exu)