
Local recebe, processa e armazena ossos, tendões e cartilagens usados principalmente em cirurgias ortopédicas. Um único doador pode ajudar cerca de 30 pessoas. Unicamp mantém banco de tecidos musculoesqueléticos em Campinas
Desde janeiro, a Unicamp conta com um novo banco de tecidos musculoesqueléticos — o oitavo do país. O local recebe, processa e armazena ossos, tendões e cartilagens usados principalmente em cirurgias ortopédicas.
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Todo o material passa por uma série de testes e análises que duram cerca de três meses. Durante esse período, os tecidos ficam guardados em um ultracongelador a −80 °C, e só podem ser usados em pacientes após liberados.
O prazo de validade do material é longo, de até cinco anos, e um único doador pode ajudar cerca de 30 pessoas. As doações são feitas com autorização da família, e a utilização dos tecidos depende do tipo de procedimento e da necessidade do paciente.
“Esse tecido passa por um processamento, primeiro aguarda os resultados dessa triagem rigorosa para que, depois, possa ser processado. […] Estando negativo esse resultado, a gente encaminha para o processamento. Durante o processamento, a gente remove as estruturas moles, como músculos e gorduras, e nós também repetimos os exames”, explica o biólogo Luiz Henrique de Freitas Filho.
Dona de casa Regina dos Santos Agostinelli recebeu transplante ósseo
Márcio Campos/EPTV
Mudança de vida
Foi esse tipo de transplante que mudou a vida da dona de casa Regina dos Santos Agostinelli. A primeira cirurgia no quadril foi em 1999. Em 2012, ela recebeu uma prótese, mas, em 2015, voltou a sentir dores e perdeu a mobilidade.
Os fragmentos usados no procedimento mais recente vieram do banco da Unicamp. A cirurgia foi realizada no início do ano e, segundo a paciente, a recuperação tem sido positiva.
“Estou muito confiante, esperançosa que vai dar tudo certo. […] Nunca tinha ouvido falar de transplante ósseo, mas a tecnologia está bem adiantada e eu dou graças a Deus. Obrigada pela pessoa [que doou]”, diz Regina.
Gustavo Constantino, ortopedista e médico responsável pelo banco, explica que a demanda é alta, mas a doação de tecidos musculoesqueléticos ainda é pouco conhecida.
“Hoje em dia, os bancos que existem no Brasil não dão conta da demanda. A oferta é muito menor do que a procura, por isso a importância de estarmos abrindo o nosso. Tem muita gente com cirurgia de quadril, que está precisando de osso para refazer essa cirurgia, e não tem. Só aqui na Unicamp a gente tem mais de 80 pacientes aguardando nessa situação”, afirma.
Banco de tecidos musculoesqueléticos da Unicamp foi inaugurado em janeiro
Márcio Campos/EPTV
Como doar?
Doadores falecidos: assim como para os demais órgãos, a doação deve ser autorizada pela família e o desejo de doar pode ser comunicado em vida.
Doadores vivos: aqueles que vão fazer uma cirurgia específica em ortopedia, que é a prótese de quadril, podem doar a cabeça do fêmur, parte óssea que geralmente é descartada ou incinerada durante o procedimento.
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